Caso Henry Borel: Monique acusa Jairo de ter matado a criança e alega ter sido dopada por ele
Nono dia de julgamento é marcado pelo depoimento da ré; ex-vereador Jairo Souza Júnior será interrogado na sequência

Monique Medeiros, mãe de Henry Borel e ré acusada de participação na morte do menino participou de um interrogatório nesta terça-feira (2) — o nono dia de julgamento dela e do ex-vereador Jairo Souza Júnior, conhecido como Jairinho, na época, padastro da vítima.
O interrogatório começou por volta das 10h30. Durante o depoimento, Monique descreveu episódios de agressão supostamente cometidos por Jairo contra a criança desde o início do relacionamento do casal. A ré chorou diversas vezes ao longo da fala.
Jairo como responsável pelo crime
Durante a sua fala, Monique afirmou acreditar que Jairo foi o responsável pela morte da criança. "Pelo modus operandi dele, pelos filhos delas, acredito que pode ter sido ele", disse citando outras acusações de ex-namoradas de violências contra crianças.
A ré ainda disse que foi dopada por Jairo na noite da morte de Henry, para que o acusado conseguisse conversar com uma amante. "Jairo sempre me dava comprimidos à noite, vi ele macerando um comprimido na minha taça de vinho. Ele fazia questão de fazer eu dormir para eu não ver que ele tinha uma outra pessoa", relatou.
Sobre a morte do filho, ela descreveu ter visto Henry "com a barriga para cima, o pé gelado e olhando para o nada". Ela afirma que Jairo repetia que a criança não estava conseguindo respirar direito. Henry chegou a ser encaminhado para um hospital, recebeu manobras de reanimação cardíaca, mas o óbito foi declarado.
Para Monique, naquele momento, a morte só poderia ser explicada por um acidente doméstico, especificamente uma queda de cama. "Ficaram duas horas e meia fazendo a massagem cardíaca. Não tinha nenhum sinal, nenhuma marca", disse. Porém, a mãe da vítima, agora, diz acreditr que Jairo matou Henry.

Relação entre Jairo e Henry
Ao mesmo tempo em que Monique diz acreditar que não conseguia imaginar que Jairo poderia cometer alguma agressão contra o filho, a ré apontou que Henry passou por mudanças de personalidade desde o início do relacionamento do casal.
Ela descreveu que a criança se tornou mais triste, além de relatar episódios de vômitos e tremores quando estava na presença de Jairo. "Se eu tivesse suspeita de tortura, agressão de qualquer coisa, eu não teria continuado nesse relacionamento", disse.
Monique contou que, em um primeiro momento, Henry gostou de Jairo, que costumava a presenteá-lo. Porém, a mudança de comportamento da criança, de acordo com o depoimento dela, mudou quando o acusado teria dado um "abraço apertado" em Henry.
Babá 'mentirosa'
Durante o depoimento, a ré ainda disse que a babá de Henry mentiu ao alegar que foi orientada por Monique a apagar mensagens em que alertava sobre possíveis agressões à criança. A acusada apontou que a responsável por deletar as conversas foi Thalita, irmã de Jairo.
"Eu tenho prova de que eu não mandei ela apagar as mensagens. Ela [Thayná] é uma grande mentirosa. Por que eu mandaria apagar os prints se eu tinha os prints do meu telefone? Isso nunca aconteceu", contou.
A agressão em questão é investigada pela polícia como um dos episódios de tortura de Jairo contra Henry. Na ocasião, o acusado se trancou no quarto com a vítima, que saiu do cômodo cinco minutos depois mancando e reclamando de dores na cabeça.
Sobre o caso, Monique disse que Jairo mentiu que chegou em casa apenas horas depois, enquanto a babá relatava a movimentação do acusado pela casa. "Ela [Thayná] contou que Jairinho tinha chamado Henry para ver o que ele tinha comprado. O Jairinho sabia que não queria que ele ficasse sozinho com o Henry. E ela disse: 'Acho melhor você vir' ", contou.
A mãe de Henry ainda relatou que tentou entender o que aconteceu com a vítima enquanto estava no salão de beleza próximo ao condomínio onde morava com jairo. "Nunca imaginava que ele tinha sofrido uma tortura nesse dia", comentou. Monique disse que Thayná contou, posteriormente, que Henry havia dito que Jairo "deu uma banda e chutou ele".
Jairo será ouvido após Monique
O ex-vereador Jairo Souza Júnior, conhecido como Jairinho, será interrogado após o depoimento de Monique, segundo uma decisão da 7ª Câmara Criminal do Rio. O pedido foi feito pelos advogados do réu, argumentando que Monique acusa o ex-vereador de ter cometido o crime e, por isso, ela deve depor antes, para que a defesa possa conhecer as acusações dela.
Próximos passos do julgamento
Após os interrogatórios do réus, começam os debates entre acusação e defesa. Nessa fase, o Ministério Público terá duas horas e meia para fazer a acusação. As defesas falam em seguida, com até duas horas e meia para cada. Depois, pode haver réplica da acusação, com até duas horas de duração, e a tréplica das defesas, em até duas horas. A previsão é que o julgamento se encerra nesta semana.
Os dois réus respondem por homicídio triplamente qualificado, tortura, coação no curso do processo e fraude processual. A acusação sustenta que Jairo desferiu as agressões contra Henry, enquanto Monique omitiu-se para preservar o relacionamento com o homem que, na época, ocupada o cargo de vereador.
O crime
Henry Borel foi morto em 8 de março de 2021, com apenas 4 anos de idade. O ex-vereador do Rio de Janeiro Jairo Souza Santos Júnior é apontado pelo Ministério Público como o principal responsável pela morte da criança.
A vítima é filha da Monique Medeiro, fruto de um antigo casamento com Leniel Borel. Monique, Jairo e Henry moravam em um apartamento na Barra da Tijuca, na Zona Oeste da capital fluminense. Na madrugada em que ele morreu, foi levado pelo casal, aparentemente desacordado, ao Hospital Barra D'Or, no mesmo bairro.
Na unidade de saúde, os médicos constataram o óbito. O casal alegava ter encontrado Henry desmaiado no quarto onde dormia.
O laudo do Instituto Médico-Legal identificou 23 lesões corporais em Henry Borel, descartando a hipótese de acidente doméstico sustentada pelos réus. A criança apresentava lesões hemorrágicas na cabeça, lesões no nariz, hematomas no punho e abdômen, contusões no rim e nos pulmões, além de hemorragia interna e rompimento do fígado.
Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.



