Caso Henry Borel: babá que mudou versões sobre o crime promete se retratar
Thayná Ferreira conviveu diariamente com Henry, Monique e Jairinho, sendo considerada uma das principais testemunhas do caso. Ela será ouvida neste domingo (31)

O Tribunal do Júri do Rio de Janeiro retomou o julgamento de Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Jairinho, e Monique Medeiros pela morte do menino Henry Borel, de 4 anos, neste domingo (31), às 11h. Os trabalhos começaram com o depoimento de Thayná Ferreira, considerada uma das testemunhas mais importantes de todo o processo.
Assim que começou a depor, Thayná pediu que o depoimento fosse realizado sem a presença dos réus no plenário, conforme informou o g1. A babá afirmou que vai se retratar sobre as diferentes versões que deu ao longo do processo. Ela conviveu diariamente com Henry nos meses que antecederam a morte dele e acompanhou a rotina do menino com a mãe e o então padrasto.
Thayná deverá ser questionada sobre as diferentes versões que apresentou ao longo do caso, para além da proximidade com os fatos investigados. Ao g1, a defesa de Monique alegou que a babá foi pressionada a omitir informações e a mentir durante a fase inicial das investigações.
A defesa de Jairinho, por outro lado, sustenta que os relatos posteriores foram influenciados por terceiros. Eles tentam descredibilizar os depoimentos que apontam episódios anteriores de violência contra a criança.
O julgamento entrou na reta final após seis dias de depoimentos. Até o momento, 16 testemunhas já foram ouvidas. A previsão é que os trabalhos continuem pelos próximos dias, com oitiva de testemunhas de defesa, interrogatórios de réus e debates finais entre acusação e defesa antes da decisão dos jurados.
Nesse sábado (30), foi ouvido o irmão de Monique, Bryan Medeiros da Costa e Silva. Ele disse que a defesa de Jairinho teria tentado orientar Monique a dizer que ele estaria dormindo no momento do crime.
Thayná teria alertado Monique sobre as agressões de Jairinho uma mês antes da morte de Henry, através de mensagens no celular.
No depoimento desse sábado (30), o irmão de Monique apontou um comportamento controlador de Jairinho em relação a Monique, com ciúmes excessivos, monitoramento e até uma suspeita de grampeamento de celular.
Relembre
O caso aconteceu em 8 de março de 2021. O menino Henry Borel, então com 4 anos, morreu no apartamento onde morava com a mãe e o então padrasto, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio. As investigações apontaram que ele chegou ao Hospital Barra D’Or já sem vida.
Médicos identificaram lesões incompatíveis com a versão apresentada inicialmente pelo casal e acionaram a polícia. Os laudos do Instituto Médico-Legal apontaram que o menino sofreu 23 lesões por agressão física extrema e hemorragia interna no fígado. A perícia descartou a hipótese de morte acidental e apontou sinais de tortura.
A acusação sustenta que Henry foi vítima de agressões praticadas por Jairinho de forma intencional e repetida, e que os ataques provocaram a morte da criança. Em relação a Monique, os promotores afirmam que ela se omitiu diante da violência sofrida pelo filho, mesmo tendo conhecimento das agressões.
Os promotores também afirmam que os réus tentaram dificultar as investigações, intimidando testemunhas e promovendo alterações na cena do crime.
Já a defesa de Jairinho nega a autoria do homicídio e sustenta que as lesões fatais encontradas no corpo de Henry podem ter sido provocadas por manobras médicas durante a tentativa de reanimação da criança. Os advogados do ex-vereador também argumentam que Henry poderia ter sofrido uma queda acidental.
A defesa de Monique, por sua vez, tenta desvincular a conduta dela da de Jairinho, afirmando que ela era manipulada pelo ex-vereador e não tinha conhecimento das agressões contra o filho.
Jornalista formada pelo UniBH, é apaixonada pelo dinamismo do factual e pelo poder das histórias bem narradas. Com trajetória que inclui passagens pelo Sistema Faemg Senar, jornal Estado de Minas e g1 Minas, possui experiência em múltiplas plataformas e linguagens. Atualmente, integra a redação da Rádio Itatiaia, onde acompanha os principais acontecimentos de Minas Gerais, do Brasil e do mundo
Formada pela PUC Minas, Maria Fernanda Ramos é repórter das editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo na Itatiaia. Antes, passou pelo portal R7, da Record.




