Caso Henry Borel: julgamento é o mais longo do Rio de Janeiro em 18 anos
Caso supera o da ex-deputada Flordelis, condenada a 50 anos pela morte do marido; veja os próximos passos do júri que deve se encerrar nesta semana

O julgamento do ex-vereador Jairo Souza Júnior, conhecido como Jairinho, e de Monique Medeiros, é o mais longo do Rio de Janeiro em 18 anos, desde que as regras do Tribunal do Júri foram alteradas em 2008. Eles são acusados pela morte de Henry Borel, de quatro anos.
O caso supera o da ex-deputada Flordelis, condenada a 50 anos pela morte do marido, o pastor Anderson do Carmo. O processo no Tribunal do Júri, em Niterói, durou sete dias, começando no dia 7 de novembro de 2022 e terminando na manhã do dia 13 de novembro de 2022, com a leitura da sentença.
Enquanto isso, o júri de Jairo e Monique está no oitavo dia e entra na fase final nesta segunda-feira (1º), com os depoimentos das últimas três das 27 testemunhas do caso. Na data, os jurados ouvem o perito Leonardo Huber Tauil, do Instituto Médico-Legal, responsável por assinar os laudos de necrópsia e os laudos complementares sobre as lesões encontradas em Henry, o médico Jefferson Evangelista Corrêa, e o psiquiatra Hewdy Lobo Ribeiro.
Durante o primeiro depoimento, de Huber Tauil, Monique deixou o plenário, por volta das 11h25, no momento em que fotos do corpo de Henry foram mostradas aos juradas. Os depoimentos foram pedidos pela defesa de Jairinho.
O que acontece após os depoimentos?
Este é o oitavo dia de julgamento, presidido pela juíza Elizabeth Machado Louro. Uma carreata com pedidos de justiça saiu do edifício onde autoridades apontam que o crime aconteceu, na Barra da Tijuca, Zona Oeste da capital fluminense, em direção à sede do Tribunal de Justiça, onde o julgamento do caso acontece.
Após as últimas três oitivas, o Ministério Público terá duas horas e meia para fazer a acusação. As defesas falam em seguida, com até duas horas e meia para cada. Depois, pode haver réplica da acusação, com até duas horas de duração, e a tréplica das defesas, em até duas horas. A previsão é que o julgamento se encerra nesta semana.
Os dois réus respondem por homicídio triplamente qualificado, tortura, coação no curso do processo e fraude processual. A acusação sustenta que Jairo desferiu as agressões contra Henry, enquanto Monique omitiu-se para preservar o relacionamento com o homem que, na época, ocupada o cargo de vereador.
Babá confirma omissão de Monique e atuação de Jairo no crime
O depoimento da babá Thayná de Oliveira Ferreira, considerada uma das testemunhas mais importantes do processo, aconteceu nesse domingo (31). Na ocasião, ela afirmou ter sido orientada a apagar mensagens e a omitir informações após a morte do menino, ocorrida em março de 2021.
Durante o depoimento, a testemunha relatou ter presenciado situações que considerou suspeitas envolvendo Jairo e Henry. De acordo com a babá, em pelo menos três episódios, Jairinho levou o menino para um quarto, permaneceu sozinho com ele por algum tempo e, depois, a criança reclamou de dores.
Ela também relatou que, em algum desses episódios, havia um som alto no quarto ou um silêncio total no cômodo. Ainda conforme a testemunha, todas as situações foram comunicadas a Monique por mensagens, ligações ou conversas presenciais. Além disso, ela afirmou que Monique soube pelo próprio menino que, em uma chamada de vídeo, afirmou que o "tio" tinha batido nele.
Segundo Thayná, ela trabalhou por cerca de um mês na casa onde Henry morava com a mãe e Jairinho, entre janeiro e março de 2021.
O crime
Henry Borel foi morto em 8 de março de 2021, com apenas 4 anos de idade. O ex-vereador do Rio de Janeiro Jairo Souza Santos Júnior é apontado pelo Ministério Público como o principal responsável pela morte da criança.
A vítima é filha da Monique Medeiro, fruto de um antigo casamento com Leniel Borel. Monique, Jairo e Henry moravam em um apartamento na Barra da Tijuca, na Zona Oeste da capital fluminense. Na madrugada em que ele morreu, foi levado pelo casal, aparentemente desacordado, ao Hospital Barra D'Or, no mesmo bairro.
Na unidade de saúde, os médicos constataram o óbito. O casal alegava ter encontrado Henry desmaiado no quarto onde dormia.
O laudo do Instituto Médico-Legal identificou 23 lesões corporais em Henry Borel, descartando a hipótese de acidente doméstico sustentada pelos réus. A criança apresentava lesões hemorrágicas na cabeça, lesões no nariz, hematomas no punho e abdômen, contusões no rim e nos pulmões, além de hemorragia interna e rompimento do fígado.
Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.



