Pai de Henry Borel cobra condenação cinco anos após morte do filho: 'Que seja começo do fim'
Leniel Borel afirmou esperar uma decisão “na proporção da brutalidade” do caso e disse que o processo pode marcar um precedente no combate à violência contra crianças

Cinco anos após a morte de Henry Borel, o pai do menino, Leniel Borel, voltou a falar publicamente e transformou a expectativa pelo julgamento em um apelo por justiça. Em declaração à imprensa nessa segunda-feira (25), ele afirmou acreditar que o caso chegou ao “começo do fim” e defendeu uma condenação que, segundo ele, esteja à altura da gravidade dos fatos.
“Espero que hoje seja o fim de um capítulo, de uma história de justiça e que seja uma condenação exemplar na proporção da brutalidade que fizeram”, declarou. Ao longo do pronunciamento, Leniel relembrou o período desde a morte do filho e criticou o tempo transcorrido até a fase atual do processo. Segundo ele, o caso ultrapassou a dimensão familiar e passou a representar uma discussão mais ampla sobre proteção infantil em todo o Brasil. “Hoje o Henry não é só mais o meu filho. Ele é filho de cada um de vocês e representa cada criança que é vítima desse país”, afirmou.
Relembre o caso
Henry Borel Medeiros morreu em março de 2021, aos 4 anos, no Rio de Janeiro. Na época, ele estava sob os cuidados da mãe, Monique Medeiros, e do então namorado dela, o médico Jairinho, conhecido politicamente como Dr. Jairinho.
Inicialmente, a morte foi apresentada como consequência de um acidente doméstico. No entanto, a investigação conduzida pela Polícia Civil e pelo Ministério Público apontou inconsistências nos relatos apresentados pelos adultos que estavam no apartamento naquela noite. Laudos periciais concluíram que a causa da morte foi hemorragia interna e laceração hepática provocadas por ação contundente. O conjunto de exames também identificou múltiplas lesões no corpo da criança. As investigações sustentaram que Henry teria sido vítima de agressões anteriores à morte e indicaram que o então vereador teria agido diretamente contra o menino. Já Monique foi acusada de omissão e participação nos fatos descritos pela acusação.
Desde então, o caso passou a ocupar espaço central no debate público sobre violência infantil, proteção institucional e responsabilização de responsáveis legais. Durante a fala nessa segunda-feira (25), Leniel voltou a questionar a dinâmica dos acontecimentos dentro do apartamento e reforçou a tese defendida pela acusação.
“Três pessoas entraram vivas naquele apartamento: dois adultos e uma criança. Depois saem dois adultos e uma criança morta. O que aconteceu naquele apartamento?”, disse.
O pai também criticou o que chamou de sucessivas mudanças de versões apresentadas ao longo do processo e afirmou esperar que o julgamento produza um efeito simbólico para outros casos semelhantes. Segundo ele, uma eventual condenação teria impacto para além do caso Henry. “Peço que a Justiça realmente faça uma justiça justa pelo meu filho, e que todo agressor desse país, todo monstro, todo perverso, esses abusadores de crianças, agressores que estão olhando essa pena, pensem 10 mil vezes antes de agredir uma criança, porque a condenação de Jair e Monique que nós vamos ver hoje vai ser a condenação de qualquer agressor”, declarou.
Além da repercussão judicial, o caso também teve desdobramentos legislativos. Após a morte do menino, foi criada a chamada Lei Henry Borel, que ampliou mecanismos de prevenção e enfrentamento à violência doméstica contra crianças e adolescentes, incluindo medidas protetivas específicas.
Julgamento adiado
O julgamento do caso foi suspenso na tarde dessa segunda-feira (25) e será retomado nesta terça-feira (26), às 9h, no Tribunal do Júri do Rio de Janeiro. A sessão foi presidida pela juíza Elizabeth Machado Louro e encerrada por volta das 17h sem o depoimento das testemunhas de acusação e dos peritos técnicos previstos para o dia.
Na retomada do julgamento, devem ser ouvidos o delegado Henrique Damasceno, a delegada Ana Carolina Medeiros e o perito criminal Luiz Carlos Prestes. Segundo o promotor Fábio Vieira, a previsão é de que o júri tenha duração entre sete e dez dias. Logo no início da sessão, o ex-vereador Dr. Jairinho alegou que não teria condições de ser julgado devido ao estado de saúde de seu advogado principal, Fabiano Lopes, que sofreu um infarto recentemente. A defesa pediu o adiamento do júri sob a justificativa de falta de tempo para alinhar estratégias com os demais advogados.
Estudante de Jornalismo na PUC e apaixonada pela área, Gabriela Neves gosta de contar histórias empolgantes e desafiadoras. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e mundo. Tem experiência em marketing pela Rock Content, cobertura de cidades pela Record Minas e assessoria política na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.



