Belo Horizonte
Itatiaia

Caso Henry Borel: babá diz que Monique pediu apagar mensagens e omitir informações após morte

Thayná Ferreira depôs neste domingo (31), durante o sétimo dia de julgamento da morte do menino, ocasião em que afirmou ter sido orientada a apagar mensagens e omitir informações

Por
Henry Borel foi morto em morto em março de 2021 • Reprodução

O sétimo dia do julgamento de Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Jairinho, e Monique Medeiros pela morte do menino Henry Borel, de 4 anos, ocorreu neste domingo (31) com o depoimento da babá Thayná Ferreira, considerada uma das testemunhas mais importantes do processo. Na ocasião, ela afirmou ter sido orientada a apagar mensagens e a omitir informações após a morte do menino, ocorrida em março de 2021.

O julgamento é presidido pela juíza Elizabeth Machado Louro e deve durar até dez dias. Mais cedo, Thayná Ferreira afirmou que iria se retratar sobre as diferentes versões que deu ao longo do processo. Ela conviveu diariamente com Henry nos meses que antecederam a morte dele e acompanhou a rotina do menino com a mãe e o então padrasto.

Durante o depoimento, a testemunha relatou ter presenciado situações que considerou suspeitas envolvendo Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, e Henry. De acordo com a babá, em pelo menos três episódios, Jairinho levou o menino para um quarto, permaneceu sozinho com ele por algum tempo e, depois, a criança reclamou de dores.

Thayná de Oliveira Ferreira também relatou que, em algum desses episódios, havia um som alto no quarto ou um silêncio total no cômodo. Ainda conforme o depoimento dela, Henry teria apresentado dores na cabeça após algumas dessas situações e, quando questionado, dizia que havia caído da cama ou que não podia falar sobre o ocorrido.

A babá chegou a afirmou que ficou no quarto fechado com Jairinho, Henry saiu mancando. Ainda conforme a testemunha, todas as situações foram comunicadas a Monique por mensagens, ligações ou conversas presenciais. Além disso, ela afirmou que Monique soube pelo próprio menino que, em uma chamada de vídeo, afirmou que o "tio" tinha batido nele.

Thayná de Oliveira Ferreira relatou que sugeriu que uma câmera fosse instalada no imóvel e chegou a indicar um profissional para realizar o serviço. De acordo com a testemunha, o pedido foi ignorado por Monique.

Pedido para que mensagens fossem apagadas

A advogada de Thayná, Juliana Nascimento, acrescentou à CNN que após a morte do menino, a babá e a empregada doméstica foram chamadas para um escritório de advocacia, onde foi coagida pela Monique a mentir. De acordo com Juliana, a mãe do menino mandou Thayná apagar as mensagens e dizer que a "família vivia em harmonia".

A defesa da babá disse ainda que a cliente não apagou integralmente as mensagens. De acordo com ela, antes de excluir parte do conteúdo, ela fez capturas de tela das conversas. O material foi recuperado posteriormente durante a investigação.

Após o depoimento, a defesa acrescentou que a cliente se sente aliviada. "Hoje, Thayná se retratou e está se sentindo aliviada por dizer tudo o que sabe". O julgamento segue no Tribunal do Júri do Rio de Janeiro. Monique Medeiros e Dr. Jairinho respondem homicídio triplamente qualificado, tortura e fraude processual.

Julgamento em reta final

O julgamento entrou na reta final após seis dias de depoimentos. Até o momento, 16 testemunhas já foram ouvidas. A previsão é que os trabalhos continuem pelos próximos dias, com oitiva de testemunhas de defesa, interrogatórios de réus e debates finais entre acusação e defesa antes da decisão dos jurados.

O irmão de Monique, Bryan Medeiros da Costa e Silva, foi ouvido, nesse sábado (30). Ele disse que a defesa de Jairinho teria tentado orientar Monique a dizer que ele estaria dormindo no momento do crime.

Thayná teria alertado Monique sobre as agressões de Jairinho uma mês antes da morte de Henry, por meio de mensagens no celular.

No depoimento desse sábado (30), o irmão de Monique apontou um comportamento controlador de Jairinho em relação a Monique, com ciúmes excessivos, monitoramento e até uma suspeita de grampeamento de celular.

Relembre

O caso aconteceu em 8 de março de 2021. O menino Henry Borel, então com 4 anos, morreu no apartamento onde morava com a mãe e o então padrasto, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio. As investigações apontaram que ele chegou ao Hospital Barra D’Or já sem vida.

Médicos identificaram lesões incompatíveis com a versão apresentada inicialmente pelo casal e acionaram a polícia. Os laudos do Instituto Médico-Legal apontaram que o menino sofreu 23 lesões por agressão física extrema e hemorragia interna no fígado. A perícia descartou a hipótese de morte acidental e apontou sinais de tortura.

A acusação sustenta que Henry foi vítima de agressões praticadas por Jairinho de forma intencional e repetida, e que os ataques provocaram a morte da criança. Em relação a Monique, os promotores afirmam que ela se omitiu diante da violência sofrida pelo filho, mesmo tendo conhecimento das agressões.

Os promotores também afirmam que os réus tentaram dificultar as investigações, intimidando testemunhas e promovendo alterações na cena do crime.

Já a defesa de Jairinho nega a autoria do homicídio e sustenta que as lesões fatais encontradas no corpo de Henry podem ter sido provocadas por manobras médicas durante a tentativa de reanimação da criança. Os advogados do ex-vereador também argumentam que Henry poderia ter sofrido uma queda acidental.

A defesa de Monique, por sua vez, tenta desvincular a conduta dela da de Jairinho, afirmando que ela era manipulada pelo ex-vereador e não tinha conhecimento das agressões contra o filho.

*Com informações da CNN

Por

Jornalista formada pelo UniBH, é apaixonada pelo dinamismo do factual e pelo poder das histórias bem narradas. Com trajetória que inclui passagens pelo Sistema Faemg Senar, jornal Estado de Minas e g1 Minas, possui experiência em múltiplas plataformas e linguagens. Atualmente, integra a redação da Rádio Itatiaia, onde acompanha os principais acontecimentos de Minas Gerais, do Brasil e do mundo