Nutricionista relata prejuízo de R$ 30 mil após contratar diarista investigada por matar idosos
Alguns dos itens furtados foram encontrados e devolvidos à vítima

Raphaella Parreiras, de 28 anos e nutricionista, é moradora do bairro Buritis, na Região Oeste de Belo Horizonte, e diz que acredita ter sido dopada e furtada por Paola Stefany Neto Cirino no dia em que a diarista foi fazer uma limpeza na casa dela. A jovem afirma que os presentes que havia ganhado em um chá de lingerie, além de roupas e joias, que somariam R$ 30 mil, foram levados. Depois que o latrocínio que vitimou um casal de idosos veio à tona, a polícia encontrou parte dos itens furtados da nutricionista na casa de Paola.
Raphaella relembra que na ocasião em que recebeu a profissional, no dia 24 de junho, sentiu uma sonolência e até dormiu no carro no momento em que saiu de casa com o marido. De acordo com Raphaella, a diarista tinha várias indicações no grupo do bairro e, por isso, ela agendou uma diária de limpeza com ela. No dia combinado, Paola chegou no local e pediu que Raphaella comprasse alguns produtos de limpeza.
“Nesse momento, quando eu saio de casa, eu comecei a sentir uma sonolência muito grande e acabou que eu dormi dentro do carro no estacionamento do supermercado”, contou Raphaella.
Depois de conversar com os delegados do caso do latrocínio, a jovem acredita que a diarista tenha colocado Clonazepam na garrafa de água dela. “Eu estava fazendo alguns atendimentos online na parte da manhã com a minha garrafa que estava de fácil acesso para ela. Eu não comi nada que tivesse em casa, somente essa água”, contou.
Na tarde daquele dia, o marido de Raphaella também sentiu sonolência e foi dormir. Depois, ele saiu de casa. “Ela saiu logo na sequência, os vídeos mostram que ela sai com muitos itens, então a gente acredita que os itens tenham sido roubados durante o período que ele estava dormindo e também no turno da manhã”, afirmou a jovem.
A nutricionista contou que deu falta dos itens dias após a faxina, momento em que entrou em contato com a diarista e percebeu que a foto de perfil dela no Whatsapp não aparecia.
Também dias após a faxina, Raphaella ficou sabendo do latrocínio que vitimou o casal Cláudio Atala Inácio, de 75 anos, e Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, de 76. Ela comparou o nome que aparecia nos noticiários com o pix que havia feito para a diarista e descobriu que se tratava da mesma pessoa.
“Num primeiro momento, foi muito assustador porque a gente se expõe a pessoas que podem lesar tanto materialmente, quanto também no sentido de expor a vida. E eu acredito que ela já tenha chegado com esse olhar de maldade mesmo, de pegar as coisas, pela percepção do que ela foi falando ao longo do dia”, contou a nutricionista.
Raphaella acredita que algo poderia ter acontecido com ela e o marido se eles tivessem acordado no momento em que o furto estava ocorrendo.
Relembre o crime
Paola Stefany Neto Cirino confessou a autoria do latrocínio que vitimou o advogado Cláudio Atala Inácio, de 75 anos, e a esposa dele, Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, de 76. O crime foi cometido em 29 de junho no apartamento das vítimas no bairro São Pedro, na Região Centro-Sul. Os corpos foram encontrados no dia seguinte pelo filho do casal.
A investigada estava no primeiro dia de trabalho no local após ser indicada por um primo de Maria Clotilde para realizar o serviço. Durante o almoço, ela bateu alguns comprimidos no liquidificador ao preparar um suco e dopou o casal. Cláudio Atala Inácio dormiu no quarto, enquanto Maria Clotilde dormiu na sala.
Ela matou o casal com diversas facadas, tomou banho, trocou de roupa e foi negociar os bens roubados no Centro de Belo Horizonte. A mulher foi presa em um hotel em Itabira, na Região Central de Minas Gerais, na noite de 1º de julho.
Jornalista pela PUC Minas. Na Itatiaia, escreve para Minas Gerais e Brasil. Anteriormente, trabalhou no jornal Estado de Minas como repórter de Gerais, com contribuições para os cadernos de Política, Economia e Diversidade.
Jornalista formado em Comunicação Social pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UNI-BH). Na Itatiaia desde 2008, é "cria" da rádio, onde começou como estagiário. É especialista na cobertura de jornalismo policial e também assuntos factuais. Também participou de coberturas especiais em BH, Minas Gerais e outros estados. Além de repórter, é também apresentador do programa Itatiaia Patrulha na ausência do titular e amigo, Renato Rios Neto.




