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Diarista diz que 'vozes pediam sangue' para autorizar roubo; PC descarta surto psicótico

Polícia Civil de Minas Gerais questiona depoimento de Paola Stefany Neto Cirino visto que ela afirmou ter tido um 'surto psicológico' apenas no momento em que desferiu facadas contra as vítimas; investigações apontam, até o momento, que o roubo foi premeditado

Por e 
Paola Stefany Neto Cirino e as vítimas Cláudio Atala Inácio e Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio • Imagens cedidas à Itatiaia

A diarista Paola Stefany Neto Cirino relatou à Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) ter escutado vozes que "pediam sangue" para que ela fosse "autorizada" a roubar o casal de idosos, no dia 29 de junho, no bairro São Pedro, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte. A versão foi dada pelo delegado do Departamento Estadual de Investigação de Crimes Contra o Patrimônio (Depatri), Gustavo Barletta, nesta terça-feira (14). Paola foi indiciada por latrocínio — roubo seguido de morte —, cometido contra Cláudio Atala Inácio, de 75 anos, e a esposa dele, Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, de 76.

Entretanto, o delegado disse estranhar o depoimento de Paola, visto que ela afirmou ter tido um "surto psicológico" apenas no momento em que desferiu facadas contra as vítimas. "Durante a reconstituição, apesar de ela dar todas as informações no que tange à dinâmica dos golpes, ela fala que não se lembra e que foi determinada por umas vozes que diziam que ela teria que dar sangue. Questionamos quem é essa voz, ela não soube explicar, mas que seria uma voz que queria sangue, já que ela gosta de dinheiro", disse Barletta.

A indiciada disse à instituição, ainda, que a voz tinha autorizado que ela roubasse os bens, após a morte das vítimas. "Usando esses termos: 'Vai, agora é tudo seu. Já que você me deu o que eu quis, que era o sangue, agora você está autorizada a levar todo o dinheiro que você quiser'. Essa é a narrativa dela", explicou o delegado do Depatri. "Após esses longos dias de investigação, podemos dizer que esse surto, ao nosso sentir, é fantasioso", afirmou Barletta, adicionando que outras vítimas narraram a mesma conduta de Paola, durante faxinas na capital mineira e em Contagem, na Região Metropolitana de BH.

Roubo foi premeditado, indica PC

Para a Polícia Civil, as investigações apontam, até o momento, que o roubo foi premeditado. "Ela [Paola] chega já com a intenção de fazer a subtração", indica o delegado Gustavo Barletta, explicando que a diarista administrou os remédios, conseguiu dopar o casal de idosos, que se tornam "sonolentos e indefesos", até que Cláudio vai até o quarto e dorme, enquanto Maria Clotilde fica na sala do apartamento, mas adormece.

Enquanto Paola afirmou que "surtou" e não se lembra como as coisas aconteceram, a instituição acredita, de acordo com informações obtidas, que, após os idosos dormirem, a diarista iniciou o roubo. Porém, como grande parte dos objetos roubados estava próxima de onde Cláudio dormia, ele teria acordado e, em seguida, reagido ao crime — momento em que Paola passou a desferir golpes contra o idoso.

Polícia Civil detalha violência

O idoso Cláudio Atala Inácio, de 75 anos, recebeu, ao todo, 43 golpes de faca, de acordo com a Polícia Civil. "São facadas no rosto, olho, coração, pescoço, nas costas, demonstrando um alto grau de violência, de brutalidade", descreveu Barletta.

A Polícia Civil acredita que, após a morte de Cláudio, a diarista foi até a sala e, inicialmente, tentou sufocar a segunda vítima, Maria Clotilde, com uma almofada e um produto químico, conhecido como thinner (um solvente de tinta, utilizado para limpar posteriormente uma obra). A prática explica a constatação de que o corpo da idosa de 76 anos apresentava, além de 15 facadas, "diversas queimaduras na região do tórax, rosto e olho", de acordo com o delegado.

Exame de sanidade mental

Após as investigações e a reconstituição, a defesa de Paola Stefany Neto Cirino apresentou um requerimento para que ela passasse pelo exame de sanidade mental, que se constitui em uma avaliação médica e psicológica detalhada que tem como objetivo verificar se um indivíduo possui plena capacidade de entendimento, discernimento e determinação para responder por seus atos.

Sobre o pedido, o delegado do Depatri, Gustavo Barletta, explicou que, neste momento, cabe ao poder judiciário determinar se Paola irá ou não passar pelo exame. "Nós encaminhamos ao poder judiciário e, até o momento, não tem nenhum tipo de resposta, seja do Ministério Público, ou da própria Justiça criminal", disse Barletta. "Vamos ter que aguardar para saber se o Poder Judiciário vai determinar que seja feito o exame", destacou.

Relembre o crime

Paola Stefany Neto Cirino • Reprodução
Paola Stefany Neto Cirino • Reprodução

Paola Stefany Neto Cirino confessou a autoria do latrocínio que vitimou o advogado Cláudio Atala Inácio, de 75 anos, e a esposa dele, Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, de 76. O crime foi cometido em 29 de junho no apartamento das vítimas, no bairro São Pedro, na Região Centro-Sul. Os corpos foram encontrados no dia seguinte pelo filho do casal.

A investigada estava no primeiro dia de trabalho no local, após ser indicada por um primo de Maria Clotilde para realizar o serviço. Durante o almoço, ela bateu alguns comprimidos no liquidificador ao preparar um suco e dopou o casal. Cláudio Atala Inácio dormiu no quarto, enquanto Maria Clotilde dormiu na sala.

Ela matou o casal com diversas facadas, tomou banho, trocou de roupa e foi negociar os bens roubados no Centro de Belo Horizonte. A mulher foi presa em um hotel em Itabira, na Região Central de Minas Gerais, na noite de 1º de julho.

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Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.

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Jornalista formado em Comunicação Social pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UNI-BH). Na Itatiaia desde 2008, é "cria" da rádio, onde começou como estagiário. É especialista na cobertura de jornalismo policial e também assuntos factuais. Também participou de coberturas especiais em BH, Minas Gerais e outros estados. Além de repórter, é também apresentador do programa Itatiaia Patrulha na ausência do titular e amigo, Renato Rios Neto.