Mulher encontrou diarista investigada por matar idosos em grupo de bairro de BH
Nutricionista contou que contratou a diarista a partir de indicações

Raphaella Parreiras, de 28 anos e nutricionista, é moradora do bairro Buritis, na Região Oeste de Belo Horizonte, e conta ter contratado a diarista Paola Stefany Neto Cirino a partir de indicações compartilhadas no grupo do bairro. A nutricionista diz ter sido dopada e furtada pela mulher no dia em que a recebeu para uma faxina. O caso veio à tona após Paola ser presa e confessar ter matado o casal de idosos Cláudio Atala Inácio, de 75 anos, e Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, de 76, no primeiro dia que foi trabalhar na casa deles.
“Peguei essa indicação no grupo do bairro Buritis, que é um grupo muito grande, um grupo que recorrente eu pego algumas indicações e eu reparei que essa diarista tinha diferentes indicações em momentos diferentes ao longo dos últimos anos. Era uma pessoa que tinha depoimentos falando que ela já estava na casa das pessoas há um ano, que ela fazia um bom serviço”, contou Raphaella.
No dia combinado, 24 de junho, Paola chegou na casa da nutricionista e pediu que Raphaella comprasse alguns produtos de limpeza. “Nesse momento, quando eu saio de casa, eu comecei a sentir uma sonolência muito grande e acabou que eu dormi dentro do carro no estacionamento do supermercado”, contou a jovem.
Depois de conversar com os delegados do caso do latrocínio, a jovem acredita que a diarista tenha colocado Clonazepam na garrafa de água dela. “Eu estava fazendo alguns atendimentos online na parte da manhã com a minha garrafa que estava de fácil acesso para ela. Eu não comi nada que tivesse em casa, somente essa água”, contou.
Na tarde daquele dia, o marido de Raphaella também sentiu sonolência e foi dormir. Depois, ele saiu de casa. “Ela saiu logo na sequência, os vídeos mostram que ela sai com muitos itens, então a gente acredita que os itens tenham sido roubados durante o período que ele estava dormindo e também no turno da manhã”, afirmou a jovem.
Segundo Raphaella, a diarista levou os presentes que ela havia ganhado em um chá de lingerie, além de roupas e joias. Alguns dos pertences foram encontrados e devolvidos. A nutricionista contou que deu falta dos itens dias após a faxina, momento em que entrou em contato com a diarista e percebeu que a foto de perfil dela no Whatsapp não aparecia.
Também dias após a faxina, Raphaella ficou sabendo do latrocínio que vitimou o casal Cláudio Atala Inácio, de 75 anos, e Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, de 76. Ela comparou o nome que aparecia nos noticiários com o pix que havia feito para a diarista e descobriu que se tratava da mesma pessoa.
“Num primeiro momento, foi muito assustador porque a gente se expõe a pessoas que podem lesar tanto materialmente, quanto também no sentido de expor a vida. E eu acredito que ela já tenha chegado com esse olhar de maldade mesmo, de pegar as coisas, pela percepção do que ela foi falando ao longo do dia”, contou a nutricionista.
Raphaella acredita que algo poderia ter acontecido com ela e o marido se eles tivessem acordado no momento em que o furto estava ocorrendo.
Relembre o crime
Paola Stefany Neto Cirino confessou a autoria do latrocínio que vitimou o advogado Cláudio Atala Inácio, de 75 anos, e a esposa dele, Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, de 76. O crime foi cometido em 29 de junho no apartamento das vítimas no bairro São Pedro, na Região Centro-Sul. Os corpos foram encontrados no dia seguinte pelo filho do casal.
A investigada estava no primeiro dia de trabalho no local após ser indicada por um primo de Maria Clotilde para realizar o serviço. Durante o almoço, ela bateu alguns comprimidos no liquidificador ao preparar um suco e dopou o casal. Cláudio Atala Inácio dormiu no quarto, enquanto Maria Clotilde dormiu na sala.
Ela matou o casal com diversas facadas, tomou banho, trocou de roupa e foi negociar os bens roubados no Centro de Belo Horizonte. A mulher foi presa em um hotel em Itabira, na Região Central de Minas Gerais, na noite de 1º de julho.
Jornalista pela PUC Minas. Na Itatiaia, escreve para Minas Gerais e Brasil. Anteriormente, trabalhou no jornal Estado de Minas como repórter de Gerais, com contribuições para os cadernos de Política, Economia e Diversidade.
Jornalista formado em Comunicação Social pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UNI-BH). Na Itatiaia desde 2008, é "cria" da rádio, onde começou como estagiário. É especialista na cobertura de jornalismo policial e também assuntos factuais. Também participou de coberturas especiais em BH, Minas Gerais e outros estados. Além de repórter, é também apresentador do programa Itatiaia Patrulha na ausência do titular e amigo, Renato Rios Neto.




