O empresário Walter Lopes, dono da empresa DWL Brasil - que vende produtos naturais, foi denunciado pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e é alvo de uma Ação Civil Pública, por exercício ilegal de medicina, charlatanismo e curandeirismo. Lopes se apresentava nas redes socais como Doutor Walter Lopes, especializado em medicina integrativa, e recomendava misturas e produtos para desintoxicação do organismo. As informações foram confirmados pelo órgão à Itatiaia.
Leia mais:
Operação Bisturi: Polícia Civil mira médicos e advogados acusados de fraudar planos de saúde no RJ Falsa psiquiatra que prometia curar depressão e ansiedade em dias é presa no México PC investiga quadrilha por enganar farmácias e trocar caixas de Ozempic por medicamento falso no RJ
Conforme a denúncia do MPMG e segundo o Conselho Federal de Medicina, Lopes não possui formação nem registro profissional. Além dos produtos vendidos pela DWL, Lopes também realizava consultas voltadas para desintoxicação do organismo.
Falsos tratamentos
No protocolo indicado por Lopes, ele sugeria a ingestão de vinagre de maçã, água, sal amargo, suco de laranja, suco de limão e azeite de oliva puro. O falso médico também aconselhava a prática de jejum. As recomendações eram dadas nas redes sociais, em páginas do Instagram, do Facebook e no YouTube da empresa e de Lopes.
Nelas, eram publicados depoimentos de pacientes que supostamente teriam tido vários problemas de saúde melhorados graças aos protocolos. Para os promotores de Justiça Rafael Pureza Nunes da Silva, da Promotoria de Justiça de Defesa da Saúde de Ipatinga, e Reinaldo Pinto Lara, da Coordenadoria Regional de Defesa da Saúde do Vale do Aço, a estratégia de marketing aplicada pelo falso médico consiste em um ciclo de transmissão de informações falsas para reforço e ganho de credibilidade da sua conduta ilícita.
“Desse modo, por meio da propaganda do título (falso) de médico e de suas especializações no ramo da medicina, angariava clientes (vítimas), inclusive por meio do anúncio da quantidade e de “feedback” de clientes (vítimas) atingidos pelos anúncios e já aderentes ao referido protocolo. Assim, tal estratégia servia de propaganda para novas adesões e reforço positivo dos pseudo-efeitos benéficos obtidos, mecanismo que se retroalimentava”, afirmam no documento.
Anvisa
Ainda segundo o MPMG, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informou que divulgação das propriedades terapêuticas dos produtos, era irregular e danosa. Segundo o parecer técnico-médico anexado no inquérito, o protocolo indicado por Lopes representa risco à saúde dos usuários, podendo, por exemplo, retardar ou interferir no tratamento de doenças graves, ou levar a uma hipoglicemia severa, com risco de morte.
Na Ação Civil Pública (ACP), o MPMG pede que a veiculação dos conteúdos promovidos por Lopes e pela DWL Brasil seja suspensa dos sites, de redes sociais e comunidades do WhatsApp. O órgão também pede a indisponibilidade de ativos financeiro, veículos e imóveis em nome de Lopes e que ele seja condenado ao pagamento de danos morais e coletivos em valor não inferior a R$ 500 mil.
A Itatiaia tentou contato com a empresa DWL Brasil e com Walter Lopes por telefone e pelas redes sociais e aguarda retorno.