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Chuvas no RS: sem acesso à água potável, o que a população deve fazer?

Contato e consumo de água contaminada pode acarretar doenças aos moradores do Rio Grande do Sul

Moradores do Rio Grande do Sul estão sofrendo com os impactos das intensas chuvas que atingem o estado. Muitos municípios estão inundados, entre eles a capital, Porto Alegre, e Canoas, uma das maiores cidades da região. Ao menos 649 mil clientes da Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan) estão sem água.

Em entrevista à Itatiaia, o infectologista Cristiano Galvão, da Onconclínicas Belo Horizonte, explica que com as inundações sobra muito pouca água própria para consumo, o que pode contribuir para o aumento de doenças. “A ingestão de água contaminada é a principal causa de doenças, como cólera, hepatite A, giardiase, amebíase, leptospirose”, pontua.

O especialista afirma que é importante que as pessoas afetadas pelas enchentes tenham acesso à água mineral. Contudo, com o cenário catastrófico no Rio Grande do Sul, muitas pessoas não estão recebendo esse item essencial, já que a há a dificuldade de acesso a áreas alagadas.

Sem água mineral, o que fazer?

Também em entrevista à Itatiaia, Felipe Malta dos Santos, Médico de Família e Comunidade e professor da Faculdade Ciências Medicas de Minas Gerais, sugere que na ausência da água mineral as pessoas captem água da chuva que não tenham contato com calhas ou com o chão. Nesse caso, os moradores deverão filtrar ou ferver a água por pelo menos cinco minutos antes de beber.

Riscos do contato com água de enchente

“Um grande problema das enchentes são que elas levam lixo, lama e água de esgoto para dentro das casas, o que gera a contaminação da água que seria apropriada para o consumo. Além da inundação do ambiente que gera o contato com a pele das pessoas”, explica Cristiano Galvão.

Entre as doenças que as pessoas que estão em contato com as águas da enchente podem contrair, ele destaca:

  • Cólera
  • Dengue
  • Febre Tifoide
  • Hepatite
  • Leptospirose
  • Tétano

Recomendações do Centro Estadual de Vigilância em saúde do Rio Grande do Sul

1. Esvazie a caixa d’água ou cisterna caso elas tenham sido invadidas pela água da enchente. Esfregue suas paredes com escova e pano limpo. Coloque 1 litros de água sanitária para cada 1.000 litros de água. Deixe por um período de duas horas e esvazie;

2. Observe se foi realizada a limpeza e desinfecção dos reservatórios públicos de armazenamento de água tratada;

3. Para as residências que não possuem reservatórios domiciliares, recomenda-se que, após restabelecimento do abastecimento de água, deixe a água das torneiras correr por alguns minutos, a fim de se descartar a água contaminada que estava acumulada nos canos;

4. Observe se ocorreu o restabelecimento do sistema de tratamento de água junto à empresa prestadora, com a manutenção da concentração de cloro residual livre entre 0,50 e 5,0 mg/L, mantendo um tempo de contato do agente desinfetante com a água por 1h, a fim de garantir a ocorrência do processo de desinfecção.

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Ana Luisa Sales é estudante de jornalismo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Na Itatiaia desde 2022, já passou por empresas como ArcelorMittal e Record TV Minas. Atualmente escreve para as editorias entretenimento, curiosidades e cidades.
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