Produção de veículos no Brasil cresce 3,5% em 2025

Alta foi estimulada pelas exportações; indústria nacional foi impactada com importações da China

Fábrica da Volkswagen em Taubaté-SP

A produção de veículos no Brasil cresceu 3,5% em 2025, segundo o balanço divulgado nesta quinta-feira (15) pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). A indústria automotiva brasileira atingiu a marca de 2,64 milhões de veículos produzidos, superando as 2,53 milhões de unidades de 2024 e assegurando o melhor resultado desde 2019.

Mesmo com a alta, o número ficou abaixo da projeção da entidade, que estimou a produção de 2,8 milhões de veículos em 2025, e havia revisto a meta no segundo semestre para 2,75 milhões.

Veículos da Stellantis sendo exportados para a Argentina

“É um ano do qual esperávamos mais, mas não podemos dizer que foi ruim. É um ano com muitos dados positivos. Outra variável que freou o crescimento foi a taxa de juros, que não baixou. Projetávamos a taxa Selic de 12,25% no fim do ano passado e fechou em 15%”, pontuou o presidente da Anfavea, Igor Calvet.

Argentina foi o principal destino das exportações

De acordo com a entidade que representa as montadoras, as exportações foram fundamentais no crescimento da produção nacional. O Brasil exportou 528,8 mil veículos em 2025, alta de 32,1% em relação a 2024. As exportações para a Argentina, o principal parceiro comercial do Brasil na região, saltaram 85% no ano passado.

Importações da China emperram produção nacional

Geely EX2 começa a chegar ao Brasil pelo porto de Paranaguá-PR

As crescentes importações de veículos eletrificados produzidos na China reduziram as atividades produtivas da indústria nacional para abastecimento interno. Em 2025, o mercado brasileiro importou 498 mil veículos, 6,63% a mais que em 2024.

Os modelos chineses já têm mais de um terço de participação nas importações (37,6%). Para efeito de comparação, os carros vindos da China eram apenas 3% dentre os importados. Já os veículos trazidos de países do Mercosul e do México representaram menos da metade das importações pela primeira vez na história (48,8%).

Produção de automóveis e comerciais leves fechou 2025 em alta

Com a estagnação da produção nacional provocada pela alta das importações, a fabricação de automóveis ficou abaixo de 2 milhões de unidades, terminando 2025 com 1,99 milhão de veículos leves. Ainda assim, uma alta de 4,8% em comparação com 2024. Já os comerciais leves fecharam o ano passado com alta de 3,5%.

Caminhões e ônibus

Linha de produção do Volvo FH, em Curitiba-PR

A produção de caminhões no Brasil em 2025 registrou queda de 12,1%, passando das 141,3 mil unidades de 2024 para 124,1 mil no ano passado. Os ônibus terminaram 2025 com crescimento de 1,6% (de 27.749 para 28.191 unidades).

Projeção de alta para 2026

Para este ano, a Anfavea projetou um crescimento de 3,7% para a produção nacional de veículos. Com isso, a indústria brasileira chegaria a 2,74 milhões de unidades fabricados no país.

Para automóveis e comerciais leves, a entidade prevê alta 3,4% na projeção que também contabiliza 69 mil unidades montadas em SKD que não foram somadas aos números de 2025 por terem um volume muito baixo. A Anfavea também projeta alta de 1,5% nas exportações.

No caso dos veículos pesados, há uma estimativa de crescimento de 1,4% na produção e queda de 1,1% para a exportação. Segundo a Anfavea, o programa Move Brasil será importante para conter a queda na produção de caminhões e ônibus.

A iniciativa para a renovação da frota, promovida pelo governo federal, oferece financiamento com taxas de juros mais baixas para motoristas autônomos e cooperativados, além de empresas de transporte rodoviário de cargas, para a compra de veículos que atendam aos critérios de sustentabilidade e de conteúdo local.

No total, o Move Brasil disponibiliza R$ 10 bilhões de crédito, entre recursos do Tesouro Nacional e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Desse total, R$ 1 bilhão são reservados a caminhoneiros autônomos e de cooperativas.

A partir deste ano, a Anfavea fará revisões trimestrais de prognósticos da indústria. Antes, elas eram feitas a cada semestre.

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Guilherme Silva gosta do meio automotivo desde que se conhece por gente, mas começou a trabalhar no setor por acaso. São mais de 15 anos de experiência na área, com passagens por iCarros, Carsale, Webmotors, KBB e Mobiauto, além de ter colaborado com as tradicionais revistas Autoesporte, Motor Show e Quatro Rodas, produzindo matérias de diferentes temas e cobrindo eventos e salões no Brasil e no exterior.

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