Quatro em cada dez executivos do setor automotivo temem demissões em 2026

Levantamento global aponta indústria em forte transformação, com cortes já anunciados por grandes montadoras e pressão crescente por adaptação tecnológica

Um cenário de transformações profundas e incertezas econômicas está deixando os altos executivos da indústria automotiva em estado de alerta. Segundo o AlixPartners 2026 Disruption Index, elaborado pela consultoria AlixPartners, cerca de 40% dos gestores do setor em nível global acreditam que poderão enfrentar demissões ainda neste ano — a maior taxa entre todos os setores pesquisados.

O índice ouviu mais de 3 mil executivos de empresas com faturamento anual superior a US$ 100 milhões (cerca de R$ 517 milhões em conversão direta) em 11 países. O estudo aponta que a transição para veículos elétricos e definidos por software, o avanço de tecnologias, como inteligência artificial, e sistemas autônomos, além das tensões comerciais com a China, estão reconfigurando as prioridades estratégicas das montadoras.

Grandes fabricantes globais, como Ford, General Motors, Porsche e Volkswagen, anunciaram cortes de pessoal ao longo de 2025, reforçando a percepção de que a reestruturação não é apenas uma projeção teórica, mas uma ameaça concreta a postos de trabalho em toda a cadeia produtiva.

O relatório destaca que funções tradicionais de gestão de produção e cadeia de suprimentos estão entre as mais vulneráveis. Executivos desses segmentos enfrentam crescentes desafios à medida que modelos antigos de desenvolvimento de veículos são pressionados a evoluir para ciclos mais rápidos e com maior conteúdo tecnológico.

Apesar das preocupações com desemprego, a pesquisa também identifica uma frente de otimismo entre os líderes da indústria. Cerca de 72% dos entrevistados enxergam oportunidades de crescimento em tecnologias emergentes, incluindo veículos autônomos, sistemas avançados de assistência ao motorista e plataformas de software com modelos de receita baseados em serviços digitais.

Analistas apontam que essas transformações, embora desafiadoras, podem moldar um novo ciclo de competitividade. A integração de inteligência artificial, por exemplo, tem sido priorizada para redução de custos operacionais, ainda que sua aplicação nos processos de geração de receita ainda esteja em estágio inicial.

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Guilherme Silva gosta do meio automotivo desde que se conhece por gente, mas começou a trabalhar no setor por acaso. São mais de 15 anos de experiência na área, com passagens por iCarros, Carsale, Webmotors, KBB e Mobiauto, além de ter colaborado com as tradicionais revistas Autoesporte, Motor Show e Quatro Rodas, produzindo matérias de diferentes temas e cobrindo eventos e salões no Brasil e no exterior.

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