Ex-chefão da Fiat em Betim tentou vender carros da BYD no Brasil

Marca chinesa quase chegou ao país por meio de executivo, que planejava vender sósia do Corolla

Figurando entre as dez marcas mais vendidas do Brasil apenas três anos depois de começar a vender carros de passeio eletrificados no país (terminou 2025 na oitava posição com quase 113 mil emplacamentos) e operando uma fábrica na Bahia, a BYD quase estreou por aqui com carros copiados de marcas tradicionais e comandada por um ex-presidente da Fiat do Brasil.

Antes de fazer sucesso com modelos elétricos e híbridos, a BYD esteve perto de atuar no mercado brasileiro quando o grupo de concessionárias Sandrecar, do empresário italiano Pacifico Paoli, tentou importar carros da marca chinesa.

BYD F3

Entre 2010 e 2011, a empresa chegou a trazer engenheiros chineses para acompanhar o processo de homologação dos veículos no país, utilizando uma pista de testes no interior de São Paulo para a avaliação dos modelos. O negócio, que também envolvia um grupo de investidores e a própria BYD, se tornou inviável com a implementação do regime automotivo Inovar-Auto, em 2013.

O programa, que vigorou até 2017, tinha como objetivo incentivar a indústria automobilística nacional. Um dos pontos do Inovar-Auto era aumentar para 30% a alíquota do imposto para veículos importados e, com isso, estimular a produção local. Na época, os carros da BYD perderiam a competitividade com o inevitável aumento de preços, afetando o que seria o seu principal apelo de compra: a relação custo-benefício frente aos modelos brasileiros.

Ex-presidente da Fiat do Brasil comandou o negócio

Paoli, que era o sócio majoritário do grupo Sandrecar, comandou a Fiat do Brasil, em Betim-MG, entre 1990 e 1995. Durante a sua gestão, Paoli esteve à frente de importantes lançamentos da marca no país, como o sedã médio Tempra, o hatch médio Tipo e o esportivo Uno Turbo. Nesse período, a Fiat saltou da quarta para a segunda posição do ranking de vendas no mercado brasileiro.

Fachada de extinta concessionária do grupo Sandrecar, em Santo André-SP

Segundo notícias da época, Paoli teria sido demitido do cargo pela matriz italiana por desentendimentos com a rede de concessionárias no Brasil. Após deixar o comando da empresa, Paoli se tornou concessionário da própria Fiat antes de adquirir a Sandrecar, voltada à comercialização de modelos da Ford.

Em 2000, Paoli criou o site automotivo Carsale, uma das primeiras plataformas de notícias e vendas de veículos na internet do Brasil. A publicação foi encerrada em 2021, após anos de dificuldades financeiras, restando apenas a corretora de seguros homônima.

Compacto menor que o Mobi e clone do Corolla

BYD F0

O subcompacto F0 era um dos carros da BYD que estavam nos planos iniciais do grupo Sandrecar para o mercado brasileiro. Cerca de 10 centímetros mais curto que um Fiat Mobi, o pequenino tinha proposta urbana e era movido por um motor 1.0 de três cilindros a gasolina de 68 cv de potência.

BYD F3

Numa época em que os SUVs ainda não dominavam o mercado, a principal aposta da empresa era o sedã médio F3, um clone chinês do Toyota Corolla de nona geração, equipado com um motor 1.5 a gasolina de 100 cv.

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Guilherme Silva gosta do meio automotivo desde que se conhece por gente, mas começou a trabalhar no setor por acaso. São mais de 15 anos de experiência na área, com passagens por iCarros, Carsale, Webmotors, KBB e Mobiauto, além de ter colaborado com as tradicionais revistas Autoesporte, Motor Show e Quatro Rodas, produzindo matérias de diferentes temas e cobrindo eventos e salões no Brasil e no exterior.

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