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Tempestades de granizo atípicas castigam o café em Minas; saiba como recuperar lavoura

Fenômeno destruiu mais de 10 mil hectares no Sul do estado; Secretaria de Agricultura orienta produtores sobre avaliação de danos

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Tempestades de granizo atípicas castigam o café em Minas; saiba como recuperar lavoura
Veja orientações • Emater-MG/ Divulgação

As tempestades acompanhadas de granizo que atingiram regiões produtoras de Minas Gerais nas últimas semanas colocaram os cafeicultores em estado de alerta. Em plena fase de recuperação das plantas pós-colheita, diversas propriedades rurais registraram desfolhamento severo, quebra de ramos produtivos e danos diretos aos frutos, comprometendo áreas inteiras de produção.

O fenômeno, considerado atípico para esta época do ano, castigou principalmente o Sul de Minas e a Zona da Mata. O relatório oficial de danos, recém-concluído pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG), revelou um cenário preocupante: 10.216 hectares foram atingidos, afetando diretamente 1.066 produtores rurais da região.

De acordo com o meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Lizandro Gemiacki, o relevo acidentado dessas regiões naturalmente favorece a formação de tempestades severas, mas o calendário tem chamado a atenção. “Estamos vivendo uma condição atípica para esta época do ano, que normalmente já seria marcada pelo período seco. Pelo menos até os próximos dias ainda existe possibilidade de chuvas com rajadas de vento e eventual queda de granizo em alguns municípios, especialmente do Sul de Minas e da Zona da Mata”, explicou Gemiacki.

 

Manejo pós-granizo: diagnóstico antes da intervenção

Diante do cenário de prejuízo, a recomendação do Conselho Nacional do Café (CNC) é que os produtores evitem decisões precipitadas e realizem uma avaliação minuciosa dos estragos antes de entrar com o maquinário na lavoura.

O plano de ação deve ser dividido de acordo com a gravidade dos danos:

  • Danos leves (perda parcial de folhas e pequenos ferimentos): a orientação é manter os tratos culturais de rotina, intensificando a nutrição foliar e o monitoramento fitossanitário.
  • Danos graves (quebra de ramos produtivos e perda da estrutura): pode ser necessária a intervenção com podas seletivas (como o decote ou a recepa) para estimular a renovação dos tecidos vegetais.
  • Porta de entrada para doenças: engenheiros agrônomos alertam que as fissuras e ferimentos abertos pelas pedras de gelo nos ramos funcionam como uma porta de entrada para fungos e bactérias. O acompanhamento técnico constante é indispensável para a aplicação rigorosa de defensivos e protetores biológicos, evitando perdas adicionais por infecções.

Seapa alerta para os riscos do El Niño no segundo semestre

Se o granizo trouxe prejuízos imediatos, o planejamento de médio prazo dos cafeicultores mineiros ganhou um ingrediente extra de complexidade. Conforme dados e orientações divulgados pela Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (Seapa), a previsão de chegada do fenômeno El Niño com maior intensidade no segundo semestre de 2026 deve alterar significativamente o regime de chuvas no parque cafeeiro nacional.

Para o café de Minas Gerais, a Seapa adverte que períodos prolongados de calor e déficit hídrico acentuado representam um risco direto para a floração e o posterior enchimento dos grãos, ameaçando tanto a produtividade quanto a qualidade final da bebida na próxima safra.

Para reduzir esses riscos climáticos, a Secretaria de Agricultura orienta que os produtores aproveitem o momento atual para revisar minuciosamente o planejamento da propriedade.

Estratégias de mitigação recomendadas pela Seapa

  • Manejo de solo: preservação da umidade da terra por meio de práticas sustentáveis, como a manutenção da cobertura vegetal e o uso do plantio direto.
  • Genética e escolha de variedades: seleção e plantio de cultivares de café desenvolvidas para apresentar maior tolerância aos períodos de estresse hídrico.
  • Infraestrutura e recursos hídricos: planejamento estratégico e uso racional da irrigação nas lavouras, condicionado à disponibilidade de água e à obtenção de outorga técnica regularizada.

Planejamento territorial e resiliência no campo

A Seapa tem intensificado o trabalho de assistência técnica para mitigar os impactos dessa maior frequência de eventos climáticos extremos. Segundo Feliciano Nogueira, superintendente de Inovação e Economia Agropecuária da Seapa, programas estaduais voltados à irrigação sustentável, revitalização de bacias hidrográficas e certificação de boas práticas são as principais ferramentas de planejamento territorial para proteger e dar suporte aos agricultores e pecuaristas na tomada de decisões.

“Diante da expectativa relativa ao El Niño, nosso trabalho junto aos agricultores e pecuaristas mineiros é orientá-los e assisti-los tecnicamente sobre estratégias que possam reduzir os efeitos do fenômeno climático em suas atividades. Em um cenário de crescente variabilidade climática, a prevenção e o planejamento passam a ser tão importantes quanto as ações adotadas após a ocorrência dos danos”, finalizou Nogueira.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.