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Granizo destrói mais de 10 mil hectares e afeta mais de mil produtores no Sul de Minas

Relatório da Emater-MG aponta que o café foi a cultura mais castigada

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Granizo destrói mais de 10 mil hectares e afeta mais de mil produtores no Sul de Minas
Imagem ilustrativa • Canva/ Reprodução

Um temporal de granizo, registrado entre os dias 30 de maio e 1º de junho, causou estragos severos na agricultura de cinco municípios do Sul de Minas Gerais. O relatório oficial de danos, recém-concluído pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG), revelou um cenário preocupante: 10.216 hectares foram atingidos, afetando diretamente 1.066 produtores rurais da região.

Os municípios impactados pelo fenômeno climático foram Boa Esperança, Campos Gerais, Campo do Meio, Paraguaçu e Ilicínea.

Cafeicultura é a principal afetada

O principal motor econômico da região, a cafeicultura, sofreu o maior impacto. Dos hectares totais atingidos, 10.035 foram de cafezais, mobilizando prejuízos para 900 cafeicultores. A gravidade dos danos nas plantas acendeu o alerta técnico:

  • Danos graves: 4.411 hectares (44% do total)
  • Danos moderados: 2.397 hectares (23,9%)
  • Perdas leves: 3.227 hectares (32,2%)

Além do café, outras culturas registraram perdas importantes: grãos (150 ha), olerícolas (25 ha), frutas diversas (5 ha) e citros (1 ha). "A Emater-MG se solidariza com todos os produtores afetados. Orientamos os agricultores que não se precipitem nesse momento e busquem ajuda de um técnico para evitar medidas prejudiciais na parte agronômica", ponderou Sérgio Brás Regina, coordenador estadual de Cafeicultura da Emater-MG.

Boa Esperança lidera as perdas na região

O município de Boa Esperança foi o mais castigado pelas chuvas de pedra. Ao todo, 205 produtores sofreram prejuízos em uma área total de 5.438 hectares. A destruição concentrou-se majoritariamente no café (5.335 ha), onde a estimativa aponta que 3.201 hectares de lavoura sofreram danos severos. O município também registrou perdas em grãos (100 ha), olerícolas (2 ha) e citros (1 ha).

Em resposta à crise, o diretor-presidente da Emater-MG, Cláudio Bortoloni, informou que o órgão, em parceria com o Governo de Minas e a Secretaria de Agricultura estadual, já está com equipes mobilizadas no campo para dar suporte técnico e notificar as instituições financeiras sobre as perdas.

Nos demais municípios, o número de agricultores prejudicados também impressiona: Campo do Meio lidera em quantidade de trabalhadores afetados, com 407 produtores, seguido por Paraguaçu (160), Ilicínea (152) e Campos Gerais (142).

Orientação ao produtor: foco no seguro e laudo técnico

A principal recomendação para os agricultores que possuem lavouras financiadas é procurar imediatamente as instituições bancárias.

"Recomendamos que se o produtor tem alguma lavoura financiada que ele procure o agente financeiro. Ele deve pedir um laudo técnico e a Emater-MG se coloca à disposição, juntamente com as cooperativas, para fazer esse laudo", ressalta Sérgio Regina.

Raio-X do impacto por Município

Abaixo, veja o detalhamento da área afetada (em hectares) em cada localidade:

Boa Esperança

  • Café: 5.335 hectares
  • Grãos: 100 hectares
  • Olerícolas: 2 hectares
  • Citros: 1 hectare
  • Frutas diversas: 0 hectares

Campos Gerais

  • Café: 1.500 hectares
  • Grãos: 30 hectares
  • Frutas diversas: 5 hectares
  • Olerícolas: 0 hectares
  • Citros: 0 hectares

Campo do Meio

  • Café: 1.500 hectares
  • Olerícolas: 15 hectares
  • Frutas diversas: 5 hectares
  • Grãos: 0 hectares
  • Citros: 0 hectares

Paraguaçu

  • Café: 1.200 hectares
  • Olerícolas: 8 hectares
  • Citros: 1 hectare
  • Grãos: 0 hectares
  • Frutas diversas: 0 hectares

Ilicínea

  • Café: 500 hectares
  • Grãos: 20 hectares
  • Olerícolas: 8 hectares
  • Citros: 1 hectare
  • Frutas diversas: 0 hectares
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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde