Safra de café 2026: produção em Minas deve saltar 23%, mas perdas climáticas preocupam
Levantamento do Faemg Senar revela que 40% da área de café no estado foi impactada por eventos climáticos

A cafeicultura em Minas Gerais, principal estado produtor do país, deve registrar uma recuperação consistente na safra 2026, embora o setor ainda enfrente as cicatrizes deixadas pelas instabilidades climáticas. Uma pesquisa inédita realizada pelo Sistema Faemg Senar com 5 mil produtores indica que a produção média deve crescer 23,6% em comparação ao ciclo de 2025.
O avanço é impulsionado pelo café arábica, com alta de 22,8%, e pelo conilon, que pode saltar 37,7%. A produtividade média esperada é de 32,9 sacas por hectare. No entanto, o termo utilizado por especialistas é "recuperação" e não "supersafra".
Fator bienalidade e os desafios climáticos
A analista de agronegócios do Sistema Faemg Senar, Ana Carolina Gomes, explicou que o crescimento se deve ao ciclo natural de maior produção dos cafeeiros (bienalidade positiva), citado por 54% dos entrevistados. Contudo, as perdas estimadas chegam a 17% devido a intempéries.
O levantamento revela que 40% da área de café no estado foi impactada por eventos como altas temperaturas, seca prolongada e chuvas mal distribuídas. O período mais crítico foi o de "pegamento" dos frutos, conhecido como chumbinho, que concentrou 60% dos danos relatados, resultando em abortamento e queda de grãos. “Houve quebra do calendário agrícola, com atrasos nas pulverizações e a adoção de um manejo mais reativo para tentar salvar a produção”, detalhou Ana Carolina.
Preparativos para a colheita e manutenção
Com a safra entrando na reta final de desenvolvimento, o foco agora se volta para a logística. No Sul de Minas, produtores como Mateus Domingueti, do Sítio Ouro Verde em Varginha, já preparam os terreiros e equipamentos. A expectativa é de colher cerca de 30 sacas por hectare, focando na qualidade que rendeu 84,5 pontos na safra anterior.
A orientação técnica do Senar reforça que a manutenção preventiva é vital. Roberto Vergueiro, instrutor da instituição, destacou que revisar máquinas de colheita e beneficiamento ajuda a reduzir custos e preservar a integridade dos grãos.
Gestão e formalização
Além do campo, a gestão jurídica ganha relevância com a proximidade da colheita. A gerente jurídica da Faemg, Mariana Maia, afirmou que a contratação de safristas (mão de obra temporária) exige formalização rigorosa. “É indispensável cumprir as obrigações trabalhistas e garantir o uso de EPIs, conforme a NR 31, para assegurar a segurança jurídica do produtor e o bem-estar do trabalhador”, disse.
Apesar da maior oferta de café no mercado em 2026, a volatilidade dos preços deve permanecer elevada, sem previsão de quedas acentuadas, devido ao aumento nos custos de produção gerado pelo manejo intensivo exigido pelo clima.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde



