China reconhece Brasil como livre de febre aftosa após mais de 20 anos de negociações
Decisão do governo chinês amplia oportunidades para exportação de carne bovina e suína brasileira e encerra negociações de décadas entre os dois países.

A China reconheceu oficialmente todo o território brasileiro como livre da febre aftosa, doença que afeta bovinos e outros animais de criação. A decisão foi anunciada nesta terça-feira (2) e abre espaço para ampliar as exportações de carne bovina e suína do Brasil para o maior mercado consumidor do mundo.
Até então, os chineses reconheciam apenas alguns estados brasileiros como livres da doença. Com a nova medida, produtores de todas as regiões do país poderão disputar espaço no mercado chinês.
O reconhecimento foi obtido durante a visita do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, a Pequim e encerra um processo de negociação que durou mais de duas décadas entre os dois países.
Segundo o governo brasileiro, a decisão também permite ampliar a venda de produtos como carne com osso e miúdos, itens que têm forte demanda na China. Em 2025, as exportações do agronegócio brasileiro para o país asiático ultrapassaram US$ 50 bilhões.
O avanço ocorre pouco mais de um ano depois de o Brasil receber da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) o certificado de país livre de febre aftosa sem vacinação. Na prática, isso significa que o vírus foi eliminado do território nacional e que não é mais necessário vacinar os rebanhos para manter a doença sob controle.
O reconhecimento chinês é visto como uma vitória para o setor agropecuário brasileiro, especialmente em um momento em que Pequim impôs limites para a importação de carne bovina entre 2026 e 2028. Mesmo com as novas restrições, o governo aposta que a melhora do status sanitário do país ajudará a abrir novas oportunidades de negócios.
Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio



