Brasil e Chile negociam regras de sanidade e certificação digital para vinhos e carnes
Países tratam de certificação eletrônica para vinhos e carnes, além do reconhecimento de áreas livres de febre aftosa e cooperação entre Embrapa e INIA

Em ano de celebração dos 190 anos de relações diplomáticas entre Brasil e Chile, os dois países alinham expandir a pauta do agronegócio. O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, reuniu-se nesta quinta-feira (23) com o embaixador chileno no Brasil, Issa Kort, para discutir um amplo pacote de medidas que engloba facilitação do comércio, cooperação sanitária e parcerias tecnológicas.
A pauta bilateral abrangeu desde a desburocratização na ponta das exportações até grandes obras de infraestrutura logística e projetos de cooperação científica.
- O Brasil exporta para o Chile: carnes, produtos florestais, complexo soja, insumos e alimentos para nutrição animal.
- O Chile exporta para o Brasil: vinhos, pescados, frutas frescas e frutas
Certificação digital para vinhos e carnes
Em nota, o Ministério da Agricultura e Pecuária informou que um dos principais avanços discutidos foi o processo de implementação da certificação eletrônica no comércio bilateral, fruto de um acordo firmado entre o Mapa do Brasil e o Ministério da Agricultura do Chile.
O sistema adota os padrões internacionais da UN/CEFACT para permitir a emissão e validação 100% digital de documentos sanitários e fitossanitários.
- Vinhos: o Brasil é o principal destino das exportações chilenas da bebida. A adoção da certificação digital trará maior agilidade e segurança na validação dos documentos na entrada do produto no mercado brasileiro.
- Produtos de origem animal: as etapas para a digitalização dos processos de embarque de carnes e derivados também estão em fase adiantada de implementação.
Pauta sanitária: Aftosa, Gripe Aviária e Newcastle
No âmbito da defesa sanitária, a delegação brasileira apresentou pleitos estratégicos para ampliar o acesso da proteína nacional ao mercado chileno. O Brasil solicitou o reconhecimento formal do Acre e de Rondônia como áreas livres de febre aftosa sem vacinação pelas autoridades chilenas.
As autoridades também debateram os mecanismos de regionalização sanitária para emergências como a Influenza Aviária de Alta Patogenicidade e a Doença de Newcastle, em conformidade com as diretrizes da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA).
Como funciona a regionalização: Caso seja registrado algum foco de enfermidade, eventuais embargo comerciais ficam restritos apenas às zonas geográficas afetadas. Com isso, preserva-se o comércio regular e as exportações vindas de regiões comprovadamente livres da doença.
Pesquisa, genética e integração logística
O encontro abriu caminho para parcerias em cooperação técnica e científica. Estão no radar o intercâmbio de material genético animal e vegetal e o compartilhamento de tecnologias entre a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e o Instituto de Investigações Agropecuárias (INIA) do Chile.
Na infraestrutura, a reunião ressaltou a importância estratégica do Corredor Bioceânico Rodoviário, rota de integração que vai interligar o Centro-Oeste brasileiro aos portos do norte do Chile — cruzando territórios de Paraguai e Argentina. A obra é vista como vital para encurtar caminhos e baratear o escoamento do agro para o Pacífico.
A reunião deu seguimento aos compromissos do Acordo de Livre Comércio Brasil–Chile, em vigor desde 2022. Participaram do encontro o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Mapa, Augusto Billi, a chefe de Gabinete substituta da SCRI, Anderlise Borsoi, e o adido agrícola do Chile no Brasil, Ricardo Moyano.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.



