Exportação de café cai 8% em março com entressafra e guerra no Oriente Médio
No acumulado do ano civil (janeiro a março), o declínio é de 21,2% no volume embarcado

O setor cafeeiro brasileiro enfrentou um mês de março desafiador. Segundo o relatório estatístico do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), o país exportou 3,040 milhões de sacas de 60 kg, o que representa uma queda de 7,8% em relação ao mesmo mês de 2025. O impacto financeiro foi ainda maior, com queda de 15,1%, totalizando US$ 1,125 bilhão.
No acumulado do ano civil (janeiro a março), o declínio é de 21,2% no volume embarcado. De acordo com a liderança do setor, o desempenho é reflexo de uma combinação de fatores internos e instabilidades globais.
Motivos da retração: de Ormuz aos portos brasileiros
O presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, apontou que o Brasil atravessa o período de entressafra, com os produtores capitalizados e aguardando melhores momentos para negociar os estoques remanescentes. No entanto, os problemas vão além da porteira:
- Logística defasada: a infraestrutura portuária nacional não tem acompanhado o crescimento do agro, resultando em centenas de contêineres retidos e prejuízos milionários.
- Geopolítica e conflitos: a instabilidade no Estreito de Ormuz, devido aos conflitos no Oriente Médio, elevou drasticamente os custos de frete e seguros marítimos.
- Relação com os EUA: as exportações para o mercado norte-americano ainda tentam se recuperar após o impacto do "tarifaço", operando sob incertezas comerciais.
Destinos e tipos de café
A Alemanha segue como o principal cliente do café brasileiro, absorvendo 14,1% do total, apesar de ter reduzido suas compras em quase 16%. Já os Estados Unidos, segundo maior comprador, registraram uma queda expressiva de 48,3% nas aquisições neste primeiro trimestre.
Quanto às variedades, o café arábica mantém a soberania, representando 79,3% dos embarques. Por outro lado, o segmento de canéforas (conilon e robusta) foi o único a registrar crescimento, com alta de 11%, impulsionado pela demanda da indústria.
Cafés diferenciados e valor agregado
Os cafés de qualidade superior e com certificados de sustentabilidade representaram quase 20% das exportações totais. Embora o volume desse nicho tenha caído 42,7%, o preço médio por saca (US$ 451,56) permanece significativamente superior ao do café comum, garantindo uma receita de US$ 730,7 milhões no trimestre.
O escoamento da safra permanece concentrado: o Porto de Santos foi responsável por 75,7% das exportações, seguido pelo complexo do Rio de Janeiro (20,3%). A expectativa do setor agora se volta para abril, com o início da chegada da safra de canéforas ao mercado, e maio, quando o foco recai sobre a colheita do arábica.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde



