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Preço do café arábica ignora safra recorde e sobe; Robusta sente pressão da colheita

Oferta limitada e preocupações geopolíticas elevaram cotações do arábica, enquanto proximidade da colheita pressionou valores do robusta

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Projeções otimistas para a safra 2026/27 deve começar a ganhar ritmo entre maio e junho • Cristiano Machado/ Imprensa-MG

O mercado brasileiro de café encerrou o mês de março com desempenhos divergentes entre as duas principais variedades cultivadas no país. Enquanto os preços do café arábica voltaram a registrar valorização, impulsionados pela oferta limitada e incertezas geopolíticas, o robusta enfrentou um período de desvalorização, pressionado pela proximidade da nova safra.

De acordo com pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a dinâmica de preços reflete a realidade distinta dos estoques e das expectativas de campo para cada grão.

Arábica: valorização supera otimismo com safra recorde

Mesmo com projeções otimistas para a safra 2026/27, que deve começar a ganhar ritmo entre maio e junho, o café arábica manteve a tendência de alta em março, após queda em fevereiro. O movimento foi sustentado por:

  • Oferta limitada: estoques atuais ainda baixos no mercado físico.

  • Tensões geopolíticas: incertezas externas que influenciam o câmbio e as exportações, como a disparada do diesel devido a Guerra no Oriente Médio.

  • Resiliência: a valorização ignorou, momentaneamente, o impacto das boas previsões de colheita.

A expectativa para a temporada 2026/27 é de uma colheita recorde, a primeira após cinco anos de produção abaixo do potencial produtivo devido a intempéries climáticas nas principais regiões cafeeiras do Brasil.

• Diego Vargas/ Seapa-MG
• Diego Vargas/ Seapa-MG

Robusta: pressão de baixa com a nova oferta

No sentido oposto, o café robusta seguiu enfraquecido durante boa parte do mês. A disponibilidade desta variedade no mercado é ligeiramente superior à do arábica, o que retira o suporte para preços elevados.

O principal fator de pressão sobre os preços reside no calendário agrícola, uma vez que a iminência da colheita para a temporada 2026/27, com trabalhos de campo previstos para começar entre abril e maio, altera as expectativas do mercado. Essa perspectiva de que novos volumes de grãos entrem em circulação nas próximas semanas gera uma maior oferta disponível, o que tende a manter as cotações sob pressão negativa e limitar qualquer reação nos valores de venda.

A expectativa do setor agora se volta para o fechamento do primeiro trimestre e o início efetivo da colheita, que definirá se o potencial recorde da safra brasileira de arábica se confirmará após o longo ciclo de adversidades climáticas.

• Cristiano Machado/ Imprensa-MG
• Cristiano Machado/ Imprensa-MG
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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde