Safra 2025 é recorde com 346 mi de toneladas; produção deve cair 1,8% em 2026

Produção de grãos mais que dobrou em 13 anos, impulsionada por ganhos de tecnologia e produtividade

Volume é 18,2% superior ao registrado em 2024

O agronegócio brasileiro alcançou um marco histórico em 2025. Segundo o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), divulgado nesta quinta-feira (15) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a safra de cereais, leguminosas e oleaginosas atingiu o recorde de 346,1 milhões de toneladas. O volume é 18,2% superior ao registrado em 2024 e representa o maior patamar desde o início da série histórica, em 1975.

O desempenho dos grãos foi puxado por recordes individuais em culturas estratégicas:

  • Soja: 166,1 milhões de toneladas.
  • Milho: 141,7 milhões de toneladas.
  • Algodão: 9,9 milhões de toneladas.

Eficiência no campo: produção dobra, mas área não acompanha

Um dos dados mais expressivos do levantamento mostra que a produção de grãos no Brasil mais que duplicou em apenas 13 anos (comparado aos 162 milhões de toneladas de 2012). No entanto, a área plantada cresceu de forma mais modesta no mesmo período (66,8%).

Segundo Carlos Alfredo Guedes, gerente de Agricultura do IBGE, o fenômeno é explicado pela tecnologia. “Os ganhos de produtividade são frutos de anos de pesquisa de instituições como a Embrapa e da decisão dos produtores de investirem em tecnologias avançadas”, destacou. Em 2025, o clima favorável foi o aliado final para consolidar os números.

Mato Grosso lidera; Centro-Oeste concentra metade da safra

O estado do Mato Grosso segue como o gigante do setor, sendo responsável por sozinho por 32% de toda a produção nacional. Somado ao Paraná (13,5%) e Goiás (11,3%), o trio lidera um ranking onde apenas seis estados concentram quase 80% da safra brasileira.

O cenário para 2026: previsão de retração

Apesar da euforia com os números de 2025, o primeiro prognóstico para 2026 indica um leve recuo no ritmo de crescimento. A estimativa é de uma safra de 339,8 milhões de toneladas, um recuo de 1,8% (menos 6,3 milhões de toneladas).

Os motivos para a queda incluem:

  1. Base de comparação elevada: 2025 foi um ano excepcional, dificultando superá-lo.
  2. Fator Econômico: Preços baixos das commodities no mercado internacional reduziram as margens de lucro.
  3. Desestímulo: Com menor rentabilidade, produtores tendem a reduzir investimentos em tecnologia e expansão de área.

Mudanças no radar

Para o próximo ano, o IBGE passará a incluir canola e gergelim em seu levantamento oficial, refletindo a crescente importância dessas culturas no portfólio agrícola nacional. Enquanto estados como Rio Grande do Sul e Paraná esperam crescimento, o Mato Grosso deve registrar um declínio de 7,9% na produção de grãos.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde

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