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Plano Safra 25/26 com R$ 516,2 bilhões: veja novas medidas para médios e grandes produtores

Com alta da taxa Selic, juros vão subir até 2 pontos percentuais

Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) é obrigatório para concessão de crédito rural

O governo federal lançou nesta terça-feira (1º) o Plano Safra 2025/2026 para a agricultura empresarial. Serão R$ 516,2 bilhões em recursos para empréstimos a médios e grandes produtores. O valor representa um acréscimo de R$ 8 bilhões (alta de 1,5%) em relação à safra anterior.

Do total anunciado, R$ 415 bilhões serão destinados a operações de custeio e comercialização, R$ 13 bilhões a mais que na safra passada. Outros R$ 102 bilhões vão para investimentos em infraestrutura produtiva, o que representa um crescimento de 51% em relação ao volume executado no último ciclo.

Cerca de R$ 114 bilhões serão contratados com juros controlados e equalizados, que vão variar de 8,5% a 13,5%, alta de 2 pontos percentuais em relação à temporada encerrada ontem (30). O aumento dos juros é em decorrência da taxa Selic, que saiu de 10,5% para 15%.

O ministro disse que, apesar do cenário de “Selic em alta, de restrição orçamentária, de comprometimento de recursos com prorrogação de dívidas e de funding restrito”, as dificuldades foram superadas. “Ninguém quer subir a taxa de juros, mas quando o Banco Central sobe 4,5 pontos percentuais de um ano para o outro, o governo reage e faz aumento mínimo possível, de 1,5 a 2 pontos percentuais”, avaliou.

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) informou que não conseguiu criar a linha específica, com juros menores, para cultivo de arroz, feijão e hortifrútis - básicos - por médios produtores. Segundo Fávaro, o público será atendido por meio do crédito destinado ao Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp), R$ 69,1 bilhões, com juros de 10% no custeio. O limite passará de R$ 3 milhões para R$ 3,5 milhões de renda bruta anual.

Novidades

A partir deste ano, uma das medidas necessárias para a concessão de crédito rural é o cumprimento das recomendações do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc). A regra, que antes valia apenas para operações de até R$ 200 mil no Pronaf, agora se estende a todos os financiamentos que se enquadrem nas condições climáticas mapeadas.

Outra novidade é a autorização para o financiamento de rações, suplementos e medicamentos adquiridos até 180 dias antes da formalização do crédito, o que flexibiliza o acesso aos insumos.

O crédito de custeio também poderá ser destinado à produção de sementes e mudas de essências florestais, nativas ou exóticas, valorizando iniciativas voltadas à preservação ambiental. Também será permitido o financiamento de insumos e tratos culturais voltados ao cultivo de plantas utilizadas para cobertura e proteção do solo no período de entressafra, incentivando práticas agrícolas sustentáveis.

Funcafé

Um dos destaques desta edição é a ampliação do acesso ao Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé), com volume recorde de R$ 7,2 bilhões. A partir de agora, beneficiários do Pronaf e do Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) poderão acessar o fundo mesmo que já tenham contratos ativos pelo Plano Safra, aumentando as opções de crédito e fortalecendo a capacidade de investimento e produção no setor cafeeiro.

O limite de renda para enquadramento no Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) foi ampliado de R$ 3 milhões para R$ 3,5 milhões por ano. A medida amplia o número de beneficiários e melhora as condições de financiamento para esse público.

Desconto para práticas sustentáveis

Outra medida ambiental do governo em relação à política agrícola é o desconto nos juros para produtores que têm boas práticas, que começou a valer no Plano Safra 24/25. O Plano Safra 25/26 também oferece crédito para produção de mudas, reflorestamento e culturas de cobertura, que ajudam a preservar o solo entre uma safra e outra.

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Além disso, o governo prorrogou para o período de 1º de julho de 2025 a 30 de junho de 2026 a aplicação do desconto de 0,5 ponto percentual na taxa de juros das operações de crédito rural de custeio. A medida vale para produtores enquadrados no Pronamp e também para os demais produtores que investirem em atividades sustentáveis, com recursos equalizados e respeitados os limites definidos por cada instituição financeira para o ano agrícola.

Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde