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Mapa divulga regras do projeto-piloto para o Zoneamento Agrícola de Risco Climático

Projeto busca aperfeiçoar o ZARC com base no histórico da área agrícola e no manejo aplicado

ZARC tem a finalidade de melhorar a qualidade e a disponibilidade de dados

As regras do projeto-piloto de Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC) - Níveis de Manejo (NMs), no âmbito do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), foram publicadas nesta terça-feira (24). A aprovação ocorreu por meio da Resolução nº 107, do Comitê Gestor Interministerial do Seguro Rural divulgada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

O ZARC tem a finalidade de melhorar a qualidade e a disponibilidade de dados e informações sobre riscos agroclimáticos no Brasil, com ênfase no apoio à formulação, ao aperfeiçoamento e à operacionalização de programas e políticas públicas. O estudo é elaborado com o objetivo de minimizar os riscos relacionados aos fenômenos climáticos adversos e permite a cada município identificar a melhor época de plantio das culturas, nos diferentes tipos de solo e ciclos de cultivares.

Na realização dos estudos, são analisados os parâmetros de clima, solo e ciclos de cultivares, a partir de uma metodologia validada pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e adotada pelo Mapa. Dessa forma, são quantificados os riscos climáticos envolvidos na condução das lavouras, que podem ocasionar perdas na produção.

Metodologia

Nesse contexto de constante evolução, a Embrapa desenvolveu uma nova metodologia que visa avaliar o impacto da adoção de boas práticas de manejo do solo, que aumentam o volume de água disponível para as plantas, contribuindo assim para a mitigação dos riscos climáticos enfrentados pelas culturas. Essa abordagem é especialmente crucial em períodos de escassez hídrica, que atualmente representam a principal causa de perdas na produção de grãos de soja no Brasil.

Baseada em informações e dados provenientes de publicações técnicas e científicas, assim como em sólidas redes de experimentação agrícola estabelecidas em diversos sistemas de produção de grãos no país, a metodologia propõe critérios e indicadores que estão diretamente ligados à qualidade do manejo e à fertilidade do solo. Esses parâmetros permitirão classificar as lavouras em diferentes níveis de manejo (NM), promovendo uma gestão eficaz e sustentável das práticas agrícolas.

Serão considerados quatro níveis de manejo do solo (NM). O NM2 representa a parametrização atualmente utilizada no ZARC, com os mesmos riscos climáticos por déficit hídrico. Os NMs 3 e 4 pressupõem melhorias na fertilidade química, física e biológica do solo via aprimoramento das práticas de manejo utilizadas, de forma a aumentar a disponibilidade hídrica e, assim, reduzir os riscos hídricos às culturas. Por sua vez, o NM1 é aplicável às áreas manejadas de forma inadequada, apresentando degradação dos atributos físicos, químicos e biológicos do solo e, consequentemente, maiores riscos de perdas por déficit hídrico.

Incentivos financeiros

O principal objetivo do projeto-piloto é fomentar a adoção desse novo modelo pelos produtores. Para isso, serão aplicados, no âmbito do PSR, incentivos financeiros por meio do percentual de subvenção, conforme segue:

  • 20% para a área classificada como Nível de Manejo 1 (NM1)
  • 25% para a área classificada como Nível de Manejo 2 (NM2)
  • 30% para a área classificada como Nível de Manejo 3 (NM3)
  • 35% para a área classificada como Nível de Manejo 4 (NM4)

Além do percentual de subvenção diferenciado, será destinado um orçamento de R$8 milhões exclusivo para essa iniciativa. Dessa forma, mesmo a área classificada como Nível de Manejo 1, cujo percentual de subvenção ao prêmio não difere da regra regular, poderá ter a vantagem de acessar esse recurso específico.

“Nesse primeiro momento, o modelo será testado para a cultura da soja, no estado do Paraná, local onde a metodologia foi desenvolvida e validada (Embrapa Soja/Londrina). Posteriormente, pretendemos expandir para outros estados e culturas. O mais importante agora é atrair os produtores e demais agentes para participar do projeto-piloto, que servirá para testar o protocolo desenvolvido e identificar eventuais gargalos operacionais”, ressaltou o secretário de Política Agrícola do Mapa, Guilherme Campos.

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ZARC – Nível de Manejo

O estudo trata-se de uma nova metodologia do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC), desenvolvida pela Embrapa. O objetivo é classificar cada área agrícola com base em dados de solo e no histórico de práticas agrícolas aplicadas, permitindo uma precificação de riscos mais precisa por parte dos agentes de mercado e incentivando a adoção de boas práticas pelos produtores rurais.

Com essa abordagem, espera-se promover a conservação do solo, a preservação dos recursos hídricos, o aumento do teor de carbono no solo, a redução de riscos e a elevação da produtividade.

A nova metodologia será implementada inicialmente em caráter experimental, por meio de um projeto-piloto inserido no Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), especificamente para a cultura da soja no estado do Paraná, onde a validação técnica foi realizada, com base em experiências na região de Londrina.

*Giulia Di Napoli colabora com reportagens para o portal da Itatiaia. Jornalista graduada pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), participou de reportagem premiada pela CDL/BH em 2022.