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Operação no RJ tira mais de 2 toneladas de café impróprio do mercado; veja fotos

Operação Café Real foi deflagrada após denúncias da Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC)

Grãos de baixa qualidade, como mofados e ardidos, e a presença de impurezas como cascas e paus de café

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), em parceria com o Procon-RJ, a Secretaria de Defesa do Consumidor do Estado do Rio de Janeiro (Sedcon) e a Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, realizou, entre os dias 27 e 29 de agosto, uma operação de fiscalização em indústrias de café torrado e moído na região de Campos dos Goytacazes.

A “Operação Café Real” foi deflagrada após denúncias da Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC). O objetivo foi identificar e coibir práticas irregulares no processamento de café, especialmente o uso de grãos de baixa qualidade, como mofados e ardidos, e a presença de impurezas como cascas e paus de café.

Durante a ação, foram inspecionadas quatro fábricas, onde os auditores constataram lotes de café cru e torrado em desacordo com os padrões oficiais de qualidade previstos na Portaria SDA/Mapa nº 570/2022. Como resultado, 1.070 kg de café impróprio ao consumo humano foram destruídos no ato e 1.350 kg foram apreendidos para destinação adequada e análises laboratoriais. Também foram descaracterizadas três bobinas de rótulos irregulares de diferentes marcas.

Já segundo o Procon-RJ, cerca de três toneladas de café serão encaminhadas para análise da ABIC. As equipes fiscalizaram 19 estabelecimentos na capital e em municípios como Campos dos Goytacazes, São Fidélis, Itaperuna, Carmo e Cantagalo.

Além da retirada imediata dos produtos irregulares, foram lavradas intimações com prazo de 90 dias para que as empresas adequem suas estruturas físicas, processos de higiene e controle de qualidade, bem como implantem procedimentos formais de classificação e rastreabilidade de matérias-primas.

“Café fraudado” ou “café fake”

O chamado “café fraudado” tem ganhado espaço após a alta no preço do produto original. Ele é um produto apresentado ao consumidor como café puro, mas que na verdade está em desconformidade com a legislação, contendo impurezas, matérias estranhas ou elementos estranhos. A Portaria 570/MAPA prevê uma tolerância máxima de 1% de impurezas no café. Tais impurezas são oriundas da lavoura, como cascas e paus. Por outro lado, não existe tolerância para a ação intencional de engano ao consumidor por meio de adulteração, inclusive, pela mistura com outros vegetais como o milho, por exemplo, colocando em risco a saúde do consumidor.

Como identificar café fraudado

Com o objetivo de evitar cair em fraudes, os clientes devem adotar algumas medidas ao adquirir café. Confira a seguir:

  • Verifique a certificação: observe se a embalagem do produto possui o Selo da ABIC. Ele garante que o café passou por rigorosos controles de qualidade e pureza;
  • Utilize o aplicativo ABICafé ou faça a leitura do QR Code: ao escanear o código de barras da embalagem, verifique se o café é certificado e em qual estilo/categoria se enquadra (tradicional, superior, extraforte, gourmet ou especial), verifique as características do alimento;
  • Tenha atenção ao preço: produtos com valores muito abaixo da média praticada no mercado podem ser indicativos de fraude. Embora o preço do café tenha aumentado, é importante desconfiar de ofertas com preços excessivamente baixos e marcas desconhecidas;
  • Leia atentamente o rótulo: termos como “bebida à base de café" ou “pó sabor café" podem indicar que o produto não é composto exclusivamente por grãos de café. Esses itens não possuem categoria específica e podem conter impurezas, portanto, são considerados cafés fakes.
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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde