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Agro busca mudar visão ‘negativa’ e ‘desatualizada’ do setor em livros didáticos

Segundo o setor, a maioria dos conteúdos sobre o setor são negativos ou desatualizados

O trabalho é liderado pela associação De Olho no Material Escolar (DONME)

O agronegócio está trabalhando para mudar conteúdos que estão nos livros didáticos e sistemas de ensino considerados pelo setor como negativos ou desatualizados. O trabalho é liderado pela associação De Olho no Material Escolar (DONME).

Segundo a associação, a ideia surgiu na pandemia quando pais e responsáveis estavam mais atentos aos estudos dos filhos. “Eles perceberam que a forma como o setor era representado nos materiais não condizia com a atual realidade. A cadeia é extremamente complexa mas o material é como se ele tivesse desatualizado com relação ao que é a nossa realidade produtiva no momento”, disse o pesquisador científico João Demarchi da DONME, à Itatiaia.

Baseado nessa percepção, a associação contratou a FIA, instituição de ensino privada criada por professores da FEA-USP, para fazer uma avaliação, elaborar uma metodologia de amostragem dos materiais disponíveis no Programa Nacional do Livro Didático.

Referências

“Nós tivemos um resultado que nos chamou muito a atenção que 85% desses trechos ou dessas citações eram característica autoral. Ou seja, a gente não tinha vínculo com uma referência de dados, uma base de dados ou um trabalho científico, instituição referência para falar daquele assunto”, afirmou Demarchi.

“Mesmo aqueles que falavam entre aspas, positivamente do setor, às vezes também faziam de forma incorreta por falta de uma base em ciência, por falta de uma base em referência de dados confiáveis”, explicou o pesquisador.

Segundo ele, as referências que aparecem no final dos livros não informavam corretamente a autoria das citações. Os outros 15%, Demarchi afirmou que tem base jornalística literária, representadas ou citadas no trabalho.

“Como resultado a gente gostaria que houvesse uma mudança, e que qualquer informação que aparecesse no material escolar, a gente pudesse rastrear de onde ela saiu. Quem disse aquilo, quem se apresenta aquela informação para que a gente possa eventualmente até contestar ou usar como referência positiva no sentido de ser correta, em base de ciência”, afirmou o pesquisador do projeto.

Negativa e desinformação

Além da falta de referência, o estudo apontou que a maioria, quando não era neutro, tinha uma maior tendência a negativo sobre o agro. “Em torno de 60% mais negativo do que positivo”, afirma.

“As positivas e extremamente positivas chegaram a ter um percentual bem menor. Mas mais do que isso era desinformação sobre a realidade do setor. Isso é o mais importante”, destacou.

Com os resultados, associação começou a dialogar com quatro grandes grupos editoriais responsáveis por mais de 90 livros avaliados no estudo.

O pesquisador afirma que avaliaram apenas o material escolar e não tiveram um aprofundamento com professores e alunos sobre os conteúdos.

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“A expectativa é trazer a realidade do sistema produtivo como um todo, para desmistificar uma visão que é retrógrada ou que retrata um agro de 30 anos atrás e não a realidade que a gente tem no campo hoje”, afirma Demarchi.

Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde