O preço do
O ICAP-L (Índice de Captação do Leite) subiu quase 1% de junho para julho na “Média Brasil”. Segundo dados preliminares da Pesquisa Trimestral do Leite do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a captação industrial de leite no Brasil alcançou 6,5 bilhões de litros no segundo trimestre de 2025, o que representaria um crescimento de 9,3% em relação ao mesmo período de 2024.
Além disso, ainda que de forma modesta (0,1%), esta seria a primeira vez na série histórica que o segundo trimestre apresentaria aumento frente aos primeiros três meses. Normalmente, o segundo trimestre coincide com a entressafra, quando normalmente há retração na produção.
No acumulado do primeiro semestre, a produção de leite no Brasil formalizada somou 12,98 bilhões de litros, 6,2% acima da verificada em igual intervalo do ano passado, reforçando a tendência de crescimento observada desde o início de 2025.
Custos e margens do produtor
Esse avanço na produção é explicado sobretudo pelos maiores investimentos dos pecuaristas, impulsionados por margens mais interessantes desde o segundo semestre do ano passado. Pesquisas do Cepea mostram um cenário de custos ainda controlados, com a relação de troca do leite pelo milho seguindo vantajosa para o produtor.
Em junho, foram necessários 25,74 litros de leite para comprar uma saca de 60 kg de milho — resultado abaixo da média dos últimos 12 meses (26,5 litros/saca). Esse movimento não era registrado desde outubro de 2024.
Aumento da produção interna
Com a maior disponibilidade no mercado interno, entre janeiro e julho de 2025 o volume de lácteos importados caiu cerca de 5% sobre o mesmo período do ano passado. Ainda assim, somou quase 1,3 bilhão de litros em equivalente leite, patamar considerado elevado e que mantém pressão no mercado doméstico.
Enquanto a produção e as importações crescem, o consumo não acompanha no mesmo ritmo e não consegue absorver a oferta, intensificando as quedas de preços ao longo da cadeia.
As indústrias seguem pressionadas pelos canais de distribuição em relação aos valores dos lácteos. Em julho, o mercado de derivados registrou comportamentos distintos: estabilidade no UHT, queda no leite em pó e alta na muçarela. O cenário reforça as dificuldades dos laticínios em manter margem de lucro.