Belo Horizonte
Itatiaia

Minas investe R$ 3 milhões e usa IA para para proteger citricultura contra o greening

Por meio de drones e inteligência artificial, o projeto Citros Guard 4.0 pretende reduzir perdas nos pomares e elevar a produção mineira de laranja e limão em até 15%

Por
Safra de laranja 2026/27 deve recuar 12,9% sob pressão climática e avanço do greening
Atualmente, o greening já foi registrado em 92 municípios mineiros • Canva/ Banco de imagem

O Governo de Minas Gerais deu um passo decisivo para proteger e expandir sua produção de citros. Por meio de um convênio entre o Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) e a Universidade Federal de Viçosa (UFV), foi lançado nesta quinta-feira (14) o projeto 'Citros Guard 4.0'. A iniciativa prevê o investimento de R$ 3 milhões no uso de alta tecnologia e inteligência artificial para o combate ao greening, a doença mais devastadora da citricultura mundial.

Assinado durante a agenda do programa 'Governo Presente' em Viçosa, o projeto integra recursos provenientes do Acordo de Reparação ao rompimento da barragem em Brumadinho. O objetivo é garantir que Minas Gerais, atual segundo maior produtor de citros do país, alcance o topo do ranking nacional.

Tecnologia de ponta contra a praga

O 'Citros Guard 4.0' não se limita ao monitoramento tradicional. O projeto integra o uso de drones equipados com câmeras térmicas e multiespectrais capazes de identificar plantas doentes antes mesmo dos sintomas serem visíveis a olho nu. Através de machine learning (aprendizado de máquina), o sistema mapeará a dispersão do inseto vetor, permitindo intervenções rápidas.

"O monitoramento com inteligência artificial vai nos permitir avançar no controle da doença e alcançar um crescimento de, no mínimo, 15% na citricultura mineira", afirmou Thales Fernandes, secretário de Agricultura (Seapa-MG).

Atualmente, o greening já foi registrado em 92 municípios mineiros. Sem o controle adequado, as perdas nos pomares podem chegar a 80%. Regiões como o Norte e o Noroeste de Minas, além dos Vale do Jequitinhonha e Rio Doce, ainda permanecem livres da praga, e a tecnologia será fundamental para manter esse status.

Nova fronteira do citros

O investimento reflete o momento de ascensão do setor no estado. Em 2024, Minas produziu mais de 1,2 milhão de toneladas de laranja, tangerina e limão. O governador Mateus Simões destacou que a citricultura é uma ferramenta estratégica para a diversificação econômica e a fixação de pequenos e médios produtores no campo.

"Estamos nos preparando para nos transformar no maior produtor de cítricos do país. E isso depende essencialmente desses estudos, porque a liderança pode ser perdida por causa de uma doença", pontuou o governador.

Minas atrai gigantes do setor

O clima favorável e a menor incidência inicial da doença têm atraído empresas que antes focavam em outros estados. É o caso da Simonetti Citrus, que transferiu 70% de suas operações de São Paulo para o Sul de Minas. Segundo Antônio Simoneti, diretor executivo da empresa, buscar tecnologia junto a pesquisadores é essencial para preservar a qualidade da fruta de mesa mineira.

Por

Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde