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Safra de laranja 2026/27 deve recuar 12,9% sob pressão climática e avanço do greening

Com produtividade estimada em 697 caixas por hectare, principal região produtora de suco do mundo deve colher 255,2 milhões de caixas

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Safra de laranja 2026/27 deve recuar 12,9% sob pressão climática e avanço do greening
Volume fica 14,7% abaixo da média registrada na última década • Canva/ Banco de imagem

O cinturão citrícola de São Paulo e do Triângulo/Sudoeste Mineiro, coração da produção mundial de suco de laranja, enfrenta um cenário desafiador para o ciclo 2026/27. Segundo dados divulgados pelo Fundecitrus nesta sexta-feira (8), a safra de laranja é estimada em 255,20 milhões de caixas (40,8 kg), uma queda de 12,9% em comparação ao período anterior.

O volume não apenas interrompe o ritmo de crescimento, como fica 14,7% abaixo da média registrada na última década no cinturão citrícola. O resultado é reflexo de uma "tempestade perfeita": a bienalidade negativa dos pomares, instabilidades climáticas severas e a pressão crescente do greening.

Os pilares da redução no cinturão cítrícola

De acordo com a Pesquisa de Estimativa de Safra (PES), o recuo produtivo é sustentado por três fatores principais:

  1. Bienalidade: a oscilação natural de carga das plantas após uma safra anterior mais produtiva.
  2. Menor carga por árvore: redução no número de frutos fixados.
  3. Queda prematura: um aumento significativo na perda de frutos antes da colheita.

Apesar de os frutos estarem mais pesados (média de 160g) e de haver um maior número de árvores produtivas no parque, esses ganhos não foram suficientes para compensar as perdas por árvore.

Clima e floradas irregulares

A fisiologia das plantas foi castigada pelo clima. A seca de maio de 2025 impôs um estresse hídrico que dividiu o cinturão:

  • Áreas irrigadas: conseguiram estimular uma primeira florada, mas o pegamento foi prejudicado pelas altas temperaturas de setembro.
  • Áreas de sequeiro: dependeram do retorno das chuvas em outubro para uma segunda florada, que acabou predominando na safra.

"Este cenário afetou não apenas o potencial produtivo, como também a uniformidade e a qualidade da safra, exigindo maior atenção no manejo", destacou o gestor da PES, Guilherme Rodriguez.

Fator greening e a produtividade

A sanidade dos pomares continua sendo a maior preocupação do setor. O último levantamento indica que 47,6% das laranjeiras do parque citrícola já foram atingidas pelo greening. Somado à incidência de leprose e à previsão de um novo El Niño no segundo semestre de 2026, o cenário fitossanitário é crítico.

A produtividade média despencou para 697 caixas por hectare no cinturão citrícola — uma retração de 13,8%. Para o diretor-executivo do Fundecitrus, Juliano Ayres, o momento exige resiliência. "A estimativa confirma um cenário complexo. O cenário exige rigor no manejo e monitoramento contínuo para mitigar perdas e sustentar a produção", afirmou.

Mudança metodológica na estimativa da safra

A taxa de perda de frutos (projetada em 31,3%) reflete uma metodologia mais precisa. O Fundecitrus passou a incorporar dados de "derriça" ("limpar" a árvore, derrubando ou colhendo todos os seus frutos) na colheita, o que permite uma medição mais fiel da realidade do campo.

O monitoramento seguirá ao longo de todo o ano, com possíveis ajustes conforme o desenvolvimento dos frutos e a evolução do clima nas 12 regiões monitoradas.

Resumo da estimativa 2026/27:

  • Total: 255,20 milhões de caixas (-12,9%)
  • Peso médio: 160 gramas por fruto
  • Produtividade: 697 caixas/ha
  • Taxa de queda: 23,7%
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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde