Belo Horizonte
Itatiaia

Suco de laranja: envios aos EUA sobem, mas receita total cai 27% na safra 2025/26

Retração na receita, mesmo com a manutenção da quantidade embarcada, é explicada pela pressão sobre as cotações internacionais

Por
Suco de laranja: envios aos EUA sobem, mas receita total cai 27% na safra 2025/26
Receita vinda dos EUA caiu 16,4% na safra • Canva/ Banco de imagem

O setor de citricultura brasileiro vive um cenário de contrastes na atual safra 2025/26 (julho de 2025 a março de 2026). Embora o volume total exportado de suco de laranja apresente estabilidade em relação ao mesmo período do ciclo anterior, o faturamento das vendas externas registrou uma queda acentuada de 27,1%, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

A retração na receita, mesmo com a manutenção da quantidade embarcada, é explicada pela pressão sobre as cotações internacionais, que operam em níveis significativamente mais baixos nesta temporada.

Desempenho por mercados

O mercado norte-americano tem sido o principal pilar de sustentação para o volume exportado. De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a demanda dos Estados Unidos impediu uma queda no escoamento global. No entanto, nem mesmo o maior volume enviado ao país foi capaz de proteger o caixa das empresas brasileiras: a receita vinda dos EUA caiu 16,4% na safra.

Já a União Europeia, tradicionalmente o maior bloco comprador, segue sendo motivo de cautela para os exportadores nacionais:

  • Março: os embarques somaram 36,9 mil toneladas, uma alta de 49,3% frente a fevereiro.
  • Acumulado: apesar da reação mensal, o ritmo ainda é insuficiente para que o escoamento total da safra 2025/26 iguale o desempenho da temporada passada.

Expectativas de retomada

Apesar dos números financeiros negativos, pesquisadores do Cepea apontam fatores que podem favorecer uma recuperação nos próximos meses. Diferente da safra anterior, os estoques atuais são compostos por produtos de melhor qualidade, o que aumenta o valor competitivo da mercadoria brasileira.

Somado a isso, os preços mais baixos e o baixo nível de estoques nos portos europeus podem forçar uma retomada das compras por parte do bloco, trazendo um novo fôlego para o fechamento do período comercial.

Por

Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde