França barra frutas da América do Sul por uso de agrotóxicos proibidos na UE

Anúncio ocorre em meio a protestos dos agricultores franceses contra o acordo Mercosul-UE

Maças, mangas, morangos e uvas estão na lista

O governo francês anunciou, neste domingo (4), a suspensão da importação de produtos agrícolas provenientes da América do Sul e de outras regiões fora do bloco europeu. A medida veta frutas e vegetais que apresentem resíduos de substâncias defensivas proibidas pela União Europeia (UE).

A restrição atinge diretamente itens populares na pauta de exportação sul-americana, como abacates, mangas, goiabas, uvas, maçãs e frutas cítricas. De acordo com o primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, a decisão visa corrigir o que o governo classifica como “concorrência desleal”.

“Não é mais aceitável tolerar a presença de substâncias proibidas na França em produtos importados. Isso constitui injustiça econômica e um problema para a saúde de nossos consumidores”, afirmou Lecornu em nota oficial publicada no X, antigo Twitter.

A nova norma foca especificamente em quatro substâncias cujos usos são vetados pelas regras sanitárias europeias:

  • Mancozebe
  • Glufosinato
  • Tiofanato-metílico
  • Carbendazim

Para garantir o cumprimento da medida, uma portaria será publicada nos próximos dias, estabelecendo a criação de uma brigada especializada. Este grupo será responsável por intensificar os controles e vistorias técnicas nos portos e pontos de entrada do país, segundo Lecornu.

“Melões, maçãs, damascos, cerejas, morangos, uvas, batatas: só serão vendidos na França se não contiverem resíduos dessas substâncias proibidas aqui. Justiça e equidade para os nossos agricultores. Proteção legítima para a nossa agricultura. Outros produtos da América do Sul, como abacates, goiabas ou certas frutas cítricas de outras regiões, só serão permitidos se atenderem aos nossos padrões”, afirmou a ministra da Agricultura, Annie Genevard.

Pressão política e o acordo Mercosul

O anúncio ocorre quando a França enfrenta uma onda de protestos e bloqueios de agricultores locais, que se opõem firmemente à assinatura do acordo de livre-comércio entre a União Europeia e o Mercosul. Os produtores franceses alegam que o acordo facilitaria a entrada de produtos com padrões sanitários inferiores, prejudicando a competitividade francesa. Com a assinatura do tratado adiada para janeiro, a medida deste domingo (4) é vista como um “aceno” de proteção ao setor interno.

Cenário no Brasil: recorde de defensivos em 2025

A decisão francesa acende um alerta para o agronegócio brasileiro. Dados do Ministério da Agricultura revelam que, em 2025, o Brasil atingiu a marca histórica de 912 novos registros de defensivos agrícolas.

Embora o segmento de hortifruti represente apenas 1% do uso total desses produtos no país, a tendência geral é de crescimento. Segundo a Kynetec Brasil e o Sindiveg:

  • A área tratada com defensivos cresceu 3,1% no primeiro semestre de 2025.
  • A expectativa é fechar 2026 com uma alta de 3,4%, superando 2,6 bilhões de hectares de área tratada acumulada.

O desafio para os exportadores brasileiros agora será adaptar o manejo fitossanitário às exigências rigorosas de Paris para não perder espaço em um dos mercados mais valiosos da Europa.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde

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