O
Cerca de 38 indicações geográficas agrícolas brasileiras terão seus nomes protegidos automaticamente em todo o território da União Europeia, garantindo que nenhum produtor europeu possa utilizar indevidamente marcas que carregam a história e a qualidade das regiões do Brasil.
Champagne e Conhaque serão proibidos no Brasil Gorgonzola e Parmesão: marcas do Brasil terão novas embalagens com acordo Mercosul-UE Acordo Mercosul-UE: presunto parma do Brasil será proibido? Entenda
Valorização da “cachaça” e bebidas nacionais
A Cachaça é a grande protagonista da lista brasileira no acordo. Com o tratado, o termo passa a ser de uso exclusivo do Brasil no mercado europeu, impedindo que destilados produzidos na Europa sejam rotulados com este nome. Antes, essa proteção existia apenas nos Estados Unidos, Colômbia, México e Chile. Além da denominação geral, regiões específicas também foram blindadas:
- Cachaça de Salinas, Abaíra e Paraty.
- Vinhos e espumantes: O setor vitivinícola gaúcho e catarinense ganha força com o reconhecimento das regiões de Farroupilha e dos Vales da Uva Goethe.
A redução de tarifas e a proteção à cachaça podem transformar a bebida em um símbolo de exportação brasileira, ampliando sua competitividade frente a outros destilados globais.
Selo de exclusividade
O acordo protege uma vasta gama de produtos que são símbolos da biodiversidade e da gastronomia regional:
- Queijos: tradicionais queijos artesanais de Minas Gerais, como o Queijo da Canastra e o Queijo do Serro, terão proteção contra imitações no exterior
- Cafés especiais: Quatro das principais regiões cafeeiras do país — Cerrado Mineiro, Alta Mogiana, Norte Pioneiro do Paraná e Região de Pinhal — passam a ter seus nomes resguardados.
- Frutas e doces: o Melão de Mossoró, as Uvas de Marialva, a Goiaba de Carlópolis e os famosos Doces de Pelotas também estão na lista de exportação com valor agregado.
Carnes, mel e itens exóticos
A lista de produtos agrícolas se estende a itens variados:
- Carnes: a Salsicha de Maracaju e a carne do Pampa Gaúcho da Campanha Meridional.
- Itens únicos como o Açafrão de Mara Rosa, a Erva-Mate de São Mateus, o Inhame de São Bento de Urânia e a Própolis Verde de Minas Gerais.
- Mel: produções regionais do Pantanal, do Oeste do Paraná e de Ortigueira.
O que muda para o produtor brasileiro?
Com o reconhecimento mútuo, o Brasil passa a proteger cerca de 350 nomes europeus, enquanto a Europa protege aproximadamente 220 nomes do Mercosul, incluindo os 38 brasileiros.
Essa proteção impede que fabricantes estrangeiros usem expressões como “tipo”, “estilo” ou traduções desses nomes para vender produtos comparáveis. Na prática, isso cria uma barreira contra a concorrência desleal e abre portas para que o agronegócio e a indústria de alimentos do Brasil conquistem mercados consumidores mais exigentes e dispostos a pagar por autenticidade.