Brasil amplia exportação de carne bovina com mais 14 frigoríficos para a Indonésia

Ao todo são 52 plantas habilitadas a fornecer proteína para o país asiático

Abertura do mercado de carne para a Indonésia ocorreu em agosto do ano passado

A Indonésia autorizou nesta quinta-feira (29) a exportação de carne bovina de mais 14 frigoríficos brasileiros, totalizando 52 o número total de plantas habilitadas a fornecer proteína para o país. A informação foi confirmada pelo secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Luis Rua.

A medida consolida um ritmo acelerado de abertura comercial: em setembro do ano passado, 17 unidades já haviam sido liberadas, somando-se às 21 que operavam anteriormente. Segundo o secretário, o resultado é fruto de um “processo crescente de profissionalização” e cooperação técnica.

A abertura do mercado de carne para a Indonésia ocorreu em agosto do ano passado, dias após a implementação do tarifaço de Trump.

Distribuição das novas unidades habilitadas

A nova lista abrange unidades em oito estados brasileiros, demonstrando a descentralização e a capilaridade da indústria frigorífica nacional:

EstadoEmpresa / Localidade
São PauloJBS (Andradina), Minerva (Barretos) e Zancheta (Bauru)
Mato Grosso do SulJBS (Anastácio e Campo Grande)
ParáFrigol (São Félix do Xingu) e Mercúrio (Castanhal)
Mato GrossoFrigorífico Pantanal (Várzea Grande)
Minas GeraisPrimafoods (Araguari)
RondôniaDistriboi (Ji-Paraná)
TocantinsCooperfrigu (Gurupi)
MaranhãoFribal (Imperatriz)
AcreFrisacre (Rio Branco)

O ‘fator Acre’ e a pecuária regional

Um dos destaques do anúncio é a habilitação da unidade no Acre. O MAPA e a ApexBrasil estimam que o estado possa exportar mais de US$ 50 milhões em proteína animal (bovina e suína) ao longo de 2026. Para Luís Rua, que acompanha o setor diretamente da Gulfood, em Dubai, a inclusão do estado fortalece o desenvolvimento de uma “pecuária cada vez mais pujante” na região Norte.

Por que a Indonésia é estratégica?

Com uma população de aproximadamente 283 milhões de habitantes — a quarta maior do mundo — a Indonésia apresenta um cenário de consumo em franca expansão, impulsionado pelo crescimento da classe média urbana.

Para o Brasil, o mercado é atrativo por dois pilares fundamentais:

  1. Segurança Sanitária: O reconhecimento do rigoroso controle brasileiro.
  2. Conformidade Religiosa: A capacidade da indústria brasileira em atender às exigências de abate e processamento Halal (segue princípios do Islã tanto na produção quanto no abate), essencial para o país de maioria muçulmana.

“A Indonésia deve manter uma forte demanda por carne bovina brasileira ao longo de 2026", afirmou Roberto Perosa, presidente da Abiec, durante coletiva de imprensa realizada no início de janeiro.

Em 2024, as importações indonésias de produtos agropecuários brasileiros somaram US$ 4,2 bilhões. Embora os setores sucroalcooleiro e de soja liderem as estatísticas, a proteína animal ganha fôlego como um novo motor para o saldo comercial entre as duas nações.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde

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