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A pesquisa, publicada na revista JAMA Network Open, acompanhou idosos que viviam sozinhos em Hong Kong, com baixa renda e sem acesso à internet. Os participantes receberam intervenções por telefone voltadas ao apoio emocional, à ativação comportamental e à prática de meditação mindfulness.
Os resultados mostraram que apenas duas estratégias tiveram impacto consistente. A ativação comportamental e a meditação mindfulness conseguiram reduzir a sensação de solidão, melhorar o bem-estar psicológico, favorecer o sono e aumentar a percepção de apoio emocional.
As sessões de ativação comportamental ocorreram por telefone, com conselheiros ajudando os idosos a planejar atividades úteis e prazerosas. O objetivo era estimular cada pessoa a retomar interesses pessoais e fortalecer vínculos sociais. Já a prática de mindfulness incluiu o ensino de técnicas como escaneamento corporal, relaxamento e desenvolvimento de uma postura mais calma diante do estresse.
Impacto da solidão na saúde
Especialistas alertam que a solidão em idosos vai além do aspecto emocional. Ela pode afetar a saúde física e mental, aumentar o risco de doenças crônicas e elevar a mortalidade precoce. Também está relacionada a alterações de humor, perda cognitiva e pior qualidade de vida.
Embora diferentes intervenções já tenham sido testadas, como psicoterapia, atividades físicas e programas de acompanhamento, muitos estudos analisaram apenas resultados de curto prazo e não explicaram como as mudanças ocorrem. Outro desafio é a falta de acesso digital entre muitos idosos, o que limita o alcance de iniciativas online.
Como funcionou o estudo
Os pesquisadores selecionaram 1.151 idosos com 65 anos ou mais que viviam sozinhos e relataram solidão no início da pesquisa. Os participantes foram divididos em três grupos. Um recebeu ligações de ativação comportamental, outro participou de sessões telefônicas de mindfulness e o terceiro recebeu apenas acompanhamento por telefone.
Cada intervenção incluiu oito ligações de cerca de 30 minutos ao longo de quatro semanas, realizadas por conselheiros voluntários treinados. Nenhum participante apresentava transtornos mentais graves nem acesso a recursos digitais, garantindo que as chamadas fossem a principal fonte de apoio.
Os cientistas avaliaram níveis de solidão, bem-estar psicológico, qualidade do sono e apoio social antes, durante e após as intervenções, utilizando escalas reconhecidas internacionalmente.
Resultados duradouros
Após 12 meses, apenas os grupos de ativação comportamental e mindfulness mantiveram melhorias significativas. Os participantes relataram menos solidão, melhor humor, sono mais reparador e maior sensação de companhia. O grupo que recebeu apenas acompanhamento telefônico não apresentou mudanças relevantes.
Segundo os pesquisadores, o estudo demonstra que ensinar habilidades psicossociais por telefone pode transformar a vida de idosos que se sentem sozinhos. Eles destacaram, porém, a necessidade de novas pesquisas para avaliar a aplicação dessas estratégias em outros contextos e populações, além de analisar custos e viabilidade de implementação.
Os cientistas também apontaram que essas intervenções podem ser especialmente úteis em situações de isolamento social, como durante pandemias, ou para pessoas com mobilidade reduzida.
Para a médica de família Tami Guenzelovich, especialista em gerontologia, os resultados são relevantes, mas o principal desafio é manter essas ações ao longo do tempo. Ela defende que, assim como medicamentos são prescritos, também é importante prescrever vínculos sociais.
Por fim, a especialista enfatiza que amizade e afeto podem ser construídos em qualquer fase da vida, e combater a solidão é uma questão de saúde pública que exige estimular a participação ativa dos idosos na sociedade.