Em entrevista recente ao programa “Face the Nation”, da rede CBS, a líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, afirmou sua convicção de que assumirá a presidência da Venezuela assim que o país restabelecer as condições para um pleito genuinamente democrático. Para ela, o momento exato de sua posse é secundário à soberania popular: “Isso deve ser decidido pelo povo em eleições”, enfatizou.
O retrospecto eleitoral e a saída de Maduro
Machado, que ainda permanece fora do território venezuelano após a intervenção militar dos Estados Unidos que removeu Nicolás Maduro do poder, relembrou o veto à sua candidatura nas eleições de 2024. Segundo a líder, Maduro a impediu de concorrer por receio de um confronto direto, subestimando Edmundo González Urrutia por considerá-lo um desconhecido.
“Em menos de três meses, unificamos o país em torno dele. Isso nunca foi apenas sobre nomes, mas sobre o desejo de liberdade”, declarou Machado, referindo-se a González, que foi reconhecido pelos EUA como “presidente eleito” em novembro de 2024.
A divergência com o governo Trump e o papel de Delcy Rodríguez
Atualmente, a liderança da transição venezuelana é motivo de debate. Enquanto a oposição esperava um apoio direto a Machado, o governo de Donald Trump optou por colaborar com Delcy Rodríguez, figura histórica do chavismo que assumiu o posto de presidenta interina.
Embora Trump tenha feito críticas públicas a Machado em janeiro, questionando seu respaldo interno, a opositora mantém uma postura otimista baseada em contatos diplomáticos reservados:
- Confiança mútua: Machado afirma se guiar pelo que foi discutido em reuniões privadas com o presidente americano, acreditando que ele compreende a real natureza do regime.
- Ceticismo sobre a interina: Ela descreveu Delcy Rodríguez como uma “comunista não confiável”, cuja lealdade original permanece com aliados de Maduro, como Rússia, Irã, China e Cuba.
- A estratégia de pressão: Para Machado, Rodríguez só colabora com os EUA devido à pressão externa. “Ela está sendo usada para o trabalho sujo de desmantelar a estrutura do próprio regime”, analisou.
O gesto simbólico do Nobel
Um dos pontos altos da recente atividade diplomática de Machado foi a entrega de seu Prêmio Nobel da Paz a Donald Trump, durante uma visita à Casa Branca em 15 de janeiro. Ao ser questionada sobre o gesto, ela justificou como um ato de gratidão e justiça: “O povo venezuelano é grato pelo que foi feito e confia nas ações que virão nos próximos meses”.