Muita gente tem
O hábito costuma se instalar de forma discreta e persistente. Aos poucos, drena energia, dificulta escolhas e afasta as pessoas do momento presente. Especialistas explicam como esse padrão surge, por que se mantém e o que pode ajudar a quebrar o ciclo.
O que é o ‘overthinking’
De acordo com a psiquiatra e psicanalista Alejandra Gómez, da Associação Psicanalítica Argentina, o ‘overthinking’ acontece quando a pessoa fica presa a ideias repetitivas que não levam à ação. Em entrevista ao Infobae, ela esclarece que não é reflexão produtiva nem busca de solução. É um estado de espera contínua, como se a decisão nunca estivesse pronta para acontecer. A pessoa imagina cenários, avalia riscos e possibilidades, mas não avança.
Entre as causas mais frequentes estão o medo de errar, a insegurança, o receio do desconhecido, o perfeccionismo e a pressão social. Esses fatores podem aparecer isolados ou combinados e atingem pessoas de todas as idades e contextos.
Para o psiquiatra Alberto Álvarez, vice presidente de um dos departamentos da mesma associação, a ansiedade é um elemento central nesse processo. Segundo ele, a mente entra em um funcionamento quase obsessivo como forma de lidar com a incerteza e o estresse. O perfeccionismo e a baixa confiança em si mesmo alimentam a análise excessiva, até dos detalhes mais simples.
Efeitos silenciosos
Pensar demais não cansa só a mente. Também afeta o corpo e as emoções. A desconexão com o presente favorece sintomas de ansiedade, angústia e estresse. A rotina perde leveza, a criatividade diminui e o cansaço parece permanente, mesmo depois de descansar.
Com o tempo, esse padrão pode se tornar um modo de viver. A dificuldade para decidir aumenta, os vínculos ficam mais frágeis e o desempenho profissional pode cair. Há relatos de isolamento, bloqueios emocionais e dificuldade para se reconectar com outras pessoas.
Instituições de saúde internacionais apontam que o ‘overthinking’ atinge tanto quem fica preso a lembranças dolorosas quanto quem se antecipa a cenários futuros improváveis. Em vez de ajudar, a repetição de pensamentos negativos amplia o sofrimento e reforça a sensação de estar preso em um ciclo sem saída.
Como interromper o ciclo e aliviar a mente
Os especialistas são unânimes em recomendar apoio profissional quando o excesso de pensamentos começa a interferir no bem estar. Para Gómez, a psicoterapia ajuda a identificar as raízes do problema e a compreender por que a mente funciona dessa maneira. Dar sentido ao sintoma enfraquece sua força no dia a dia.
Além da terapia, práticas simples podem fazer diferença. Reconhecer quando se está pensando demais, questionar a utilidade desses pensamentos e redirecionar a atenção são passos importantes. Caminhar, ler, escrever, ouvir música ou se envolver em atividades prazerosas ajudam a mente a descansar.
Serviços de saúde de outros países destacam técnicas como detectar, revisar e modificar pensamentos pouco úteis, substituindo-os por ideias mais realistas. Exercícios de respiração, relaxamento e meditação também mostram resultados positivos.
Outra estratégia sugerida é estabelecer um horário específico para se preocupar. Anotar as inquietações e avaliar o que pode ou não ser resolvido limita o tempo gasto com ruminação e estimula uma postura mais ativa diante dos problemas.