Ranking de passaportes mais poderosos mostra liderança asiática e queda dos EUA

Ranking global aponta diplomacia, estabilidade política e acordos bilaterais como fatores que ampliam ou limitam a entrada sem visto em outros países

A lista dos passaportes mais poderosos do mundo em 2026 confirma uma tendência que vem se consolidando nos últimos anos: a mobilidade internacional está cada vez mais ligada à força diplomática e à estabilidade dos países. O levantamento mais recente colocou Singapura no topo do ranking, oferecendo aos seus cidadãos acesso sem visto a 192 países e territórios. Os dados foram divulgados em 20 de janeiro e se baseiam em informações da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA).

O resultado influencia diretamente viajantes, governos e empresas internacionais, que usam esse tipo de classificação para planejar deslocamentos, negociar acordos e avaliar riscos e oportunidades em diferentes regiões do planeta.

Logo atrás de Singapura aparecem Japão e Coreia do Sul, empatados na segunda posição. Os passaportes desses países permitem a entrada em 188 destinos sem a necessidade de visto prévio. Na terceira colocação estão Dinamarca, Luxemburgo, Espanha, Suécia e Suíça, todos com acesso livre a 186 países. O domínio de nações asiáticas e europeias nas primeiras posições reflete relações diplomáticas sólidas e políticas migratórias baseadas na reciprocidade.

Nos últimos dez anos, a liberdade de circulação se transformou em um indicador relevante de desenvolvimento econômico e relações exteriores. Viajar sem visto facilita negócios, turismo e intercâmbio acadêmico, enquanto restrições excessivas podem reduzir investimentos e limitar parcerias internacionais.

Quais são países com os passaportes mais fortes em 2026

De acordo com a atualização anual baseada nos registros da IATA, Singapura mantém a liderança pelo terceiro ano consecutivo. O desempenho é atribuído a uma política externa ativa e a uma ampla rede de acordos bilaterais que dispensam a exigência de visto para seus cidadãos.

Japão e Coreia do Sul seguem de perto, reforçando a presença da Ásia Oriental entre os países com maior liberdade de circulação. A confiança internacional nos documentos emitidos por esses governos está ligada à estabilidade institucional e aos baixos índices de risco migratório.

Na Europa, o terceiro lugar compartilhado mostra a força dos acordos multilaterais e da integração regional. Países como Espanha e Suíça se beneficiam tanto das relações dentro do continente quanto de tratados com outras partes do mundo.

Como é definido o ranking dos passaportes

A posição de cada país é determinada pelo número de destinos que permitem a entrada sem visto ou com visto obtido na chegada. Cada autorização conta como um ponto na pontuação final. A IATA atualiza constantemente as regras de entrada para cada nacionalidade, levando em conta mudanças diplomáticas, políticas de segurança e restrições temporárias.

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O ranking funciona como um retrato da situação atual da mobilidade global, refletindo acordos em vigor e decisões recentes dos governos.

Países que avançaram no ranking

Entre os destaques positivos está os Emirados Árabes Unidos, que alcançaram a quinta posição ao lado de Hungria, Portugal, Eslováquia e Eslovênia. Esses passaportes garantem acesso sem visto a 184 destinos. Desde 2006, os Emirados adicionaram 149 novos países à sua lista de entrada livre, o maior crescimento registrado no período.

Esse avanço está ligado à assinatura de novos acordos internacionais e à expansão de relações comerciais e turísticas. Para muitos governos, subir no ranking também é uma forma de fortalecer a imagem do país no cenário global.

Por que os Estados Unidos caíram na classificação

O passaporte dos Estados Unidos aparece apenas na décima posição em 2026, com acesso sem visto a 179 destinos. Em anos anteriores, o país já ocupou o topo do ranking, mas perdeu espaço após a adoção de políticas migratórias mais restritivas e a estagnação de novos acordos de reciprocidade.

Embora o Programa de Isenção de Vistos permita a entrada de cidadãos de 46 países sem visto, outros governos passaram a impor exigências adicionais aos americanos. Especialistas apontam que a combinação entre decisões internas e reações externas explica a queda contínua do país nos índices de mobilidade global.

Passaportes com mais restrições no mundo

Na outra ponta da lista está o Afeganistão, que ocupa a última posição. Seus cidadãos têm acesso sem visto ou com visto na chegada a apenas 24 destinos. A situação política instável e a falta de relações diplomáticas consistentes pesam fortemente nesse resultado.

Síria, Iraque e Paquistão também aparecem entre os países com menor liberdade de circulação. Conflitos armados, sanções internacionais e poucos acordos bilaterais limitam as possibilidades de viagem para seus cidadãos.

O que explica as diferenças

A distância entre os passaportes mais e menos poderosos está relacionada a fatores como estabilidade política, desenvolvimento econômico, segurança interna e reputação internacional. Países com políticas externas ativas e relações diplomáticas amplas tendem a garantir mais liberdade de movimento para sua população.

Nas últimas duas décadas, o aumento da mobilidade global se concentrou principalmente em nações economicamente fortes e institucionalmente estáveis, ampliando as oportunidades de estudo, trabalho e negócios para seus cidadãos.

Impacto do ranking para viajantes e governos

A classificação influencia diretamente a vida de quem viaja, reduzindo burocracias e custos para cidadãos de países bem posicionados. Para os governos, o ranking serve como ferramenta estratégica na negociação de acordos de isenção de visto e no fortalecimento da imagem internacional do passaporte nacional.

Empresas multinacionais, agências de turismo e organismos internacionais também utilizam esses dados para planejar operações e antecipar mudanças nas regras migratórias.

Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.

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