Uma colina coberta por vegetação, no coração da
O achado foi feito no túmulo de Karaağaç, localizado a mais de 160 quilômetros da antiga capital frígia, Gordion. A pesquisa, publicada na revista científica American Journal of Archaeology, desafia a ideia de que o poder na Frígia era totalmente centralizado e abre novas interpretações sobre a organização política do reino durante a Idade do Ferro.
História
A investigação foi liderada pelo arqueólogo Hüseyin Erpehlivan, da Universidade de Bilecik, na Turquia. Segundo a equipe, o local funcionou como área funerária por quase três mil anos, o que revela sua importância simbólica ao longo de diferentes períodos históricos.
A estrutura chama atenção pela câmara funerária de madeira, cuidadosamente montada e protegida por uma complexa arquitetura de pedra e terra. Dentro dela, os arqueólogos encontraram objetos de alto valor, como vasos de cerâmica, recipientes metálicos ricamente ornamentados e situlas de bronze, peças normalmente reservadas às elites da época.
Os artefatos apresentam cenas detalhadas de caçadas, procissões e combates, reforçando a ligação com grupos de alto status social. Peças muito semelhantes foram encontradas na chamada Tumba de Midas, em Gordion, tradicionalmente associada a Gordias, pai do rei Midas.
De acordo com Erpehlivan, a combinação entre a arquitetura monumental e os objetos funerários encontrados aponta para um indivíduo diretamente ligado à família real frígia.
Novas descobertas
A localização da tumba, distante do centro político de Gordion, levanta novas questões sobre a forma como a Frígia era governada. Para os pesquisadores, o sepultamento indica que o poder não estava concentrado em um único ponto, mas distribuído entre centros regionais com certa autonomia.
O arqueólogo norte-americano Brian Rose, da Universidade da Pensilvânia, destacou que o local reúne restos humanos de diferentes épocas, o que sugere que o túmulo manteve seu valor simbólico por séculos. Mesmo que os ossos encontrados não pertençam ao ocupante original, a grandiosidade da construção e a riqueza dos objetos confirmam a importância estratégica da região.
Quem foi enterrado em Karaağaç?
A principal hipótese entre os especialistas é que a tumba tenha pertencido a um nobre de alto escalão, um governador regional ou um parente próximo do rei Midas, ainda que não a um monarca. A semelhança entre os objetos encontrados e aqueles da tumba atribuída ao pai de Midas reforça a ideia de laços diretos com a realeza.
Há também quem defenda que os artefatos possam ter sido presentes diplomáticos, oferecidos pelo rei a aliados políticos para fortalecer relações de poder. Nesse contexto, a riqueza do túmulo não indicaria necessariamente um rei, mas sim uma elite influente e bem conectada.
O rei Midas
Conhecido popularmente pela lenda do toque de ouro, Midas também é uma figura histórica. Registros assírios do século VIII a.C. já mencionavam um rei frígio com esse nome, o que confirma sua existência. A professora Lynn Roller, da Universidade da Califórnia em Davis, lembra que essas fontes são evidências sólidas de que Midas governou de fato a Frígia.
Um dos elementos mais importantes para datar a tumba de Karaağaç é uma inscrição com um nome frígio encontrada em um dos vasos cerâmicos. Isso permite situar a construção entre os anos 740 e 690 a.C., período associado ao reinado de Midas. Para Erpehlivan, isso indica que o indivíduo enterrado fazia parte direta das estruturas de poder do reino.