Descoberta arqueológica na Turquia revela tumba ligada à família do lendário rei Midas

Achado do século VIII a.C. traz novas pistas sobre questões políticas e culturais da antiga Frígia

Uma colina coberta por vegetação, no coração da Anatólia, tornou-se palco de uma das descobertas arqueológicas mais relevantes dos últimos anos. Pesquisadores encontraram uma tumba monumental na Turquia que pode ter ligação direta com a família do lendário rei Midas, figura histórica envolta em mitos e símbolos de riqueza.

O achado foi feito no túmulo de Karaağaç, localizado a mais de 160 quilômetros da antiga capital frígia, Gordion. A pesquisa, publicada na revista científica American Journal of Archaeology, desafia a ideia de que o poder na Frígia era totalmente centralizado e abre novas interpretações sobre a organização política do reino durante a Idade do Ferro.

História

A investigação foi liderada pelo arqueólogo Hüseyin Erpehlivan, da Universidade de Bilecik, na Turquia. Segundo a equipe, o local funcionou como área funerária por quase três mil anos, o que revela sua importância simbólica ao longo de diferentes períodos históricos.

A estrutura chama atenção pela câmara funerária de madeira, cuidadosamente montada e protegida por uma complexa arquitetura de pedra e terra. Dentro dela, os arqueólogos encontraram objetos de alto valor, como vasos de cerâmica, recipientes metálicos ricamente ornamentados e situlas de bronze, peças normalmente reservadas às elites da época.

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Os artefatos apresentam cenas detalhadas de caçadas, procissões e combates, reforçando a ligação com grupos de alto status social. Peças muito semelhantes foram encontradas na chamada Tumba de Midas, em Gordion, tradicionalmente associada a Gordias, pai do rei Midas.

De acordo com Erpehlivan, a combinação entre a arquitetura monumental e os objetos funerários encontrados aponta para um indivíduo diretamente ligado à família real frígia.

Novas descobertas

A localização da tumba, distante do centro político de Gordion, levanta novas questões sobre a forma como a Frígia era governada. Para os pesquisadores, o sepultamento indica que o poder não estava concentrado em um único ponto, mas distribuído entre centros regionais com certa autonomia.

O arqueólogo norte-americano Brian Rose, da Universidade da Pensilvânia, destacou que o local reúne restos humanos de diferentes épocas, o que sugere que o túmulo manteve seu valor simbólico por séculos. Mesmo que os ossos encontrados não pertençam ao ocupante original, a grandiosidade da construção e a riqueza dos objetos confirmam a importância estratégica da região.

Quem foi enterrado em Karaağaç?

A principal hipótese entre os especialistas é que a tumba tenha pertencido a um nobre de alto escalão, um governador regional ou um parente próximo do rei Midas, ainda que não a um monarca. A semelhança entre os objetos encontrados e aqueles da tumba atribuída ao pai de Midas reforça a ideia de laços diretos com a realeza.

Há também quem defenda que os artefatos possam ter sido presentes diplomáticos, oferecidos pelo rei a aliados políticos para fortalecer relações de poder. Nesse contexto, a riqueza do túmulo não indicaria necessariamente um rei, mas sim uma elite influente e bem conectada.

O rei Midas

Conhecido popularmente pela lenda do toque de ouro, Midas também é uma figura histórica. Registros assírios do século VIII a.C. já mencionavam um rei frígio com esse nome, o que confirma sua existência. A professora Lynn Roller, da Universidade da Califórnia em Davis, lembra que essas fontes são evidências sólidas de que Midas governou de fato a Frígia.

Um dos elementos mais importantes para datar a tumba de Karaağaç é uma inscrição com um nome frígio encontrada em um dos vasos cerâmicos. Isso permite situar a construção entre os anos 740 e 690 a.C., período associado ao reinado de Midas. Para Erpehlivan, isso indica que o indivíduo enterrado fazia parte direta das estruturas de poder do reino.

Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.

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