Pesquisadores da Universidade Federal de Lavras (UFLA) identificaram um risco crescente à saúde pública: a circulação de cepas da bactéria Escherichia coli altamente resistentes a antibióticos. O estudo, financiado pela Fapemig, revelou uma proximidade genética alarmante entre bactérias isoladas de seres humanos, animais de produção e animais de estimação, indicando que o microrganismo transita entre diferentes espécies.
A pesquisa analisou mais de 100 amostras coletadas de humanos, bovinos, búfalos, cães e animais silvestres. Através do sequenciamento genético completo, a equipe mapeou genes de resistência que dificultam tratamentos médicos e veterinários. Segundo a coordenadora do projeto, professora Elaine Dorneles, a resistência antimicrobiana é um dos achados mais críticos, podendo levar a infecções graves e tratamentos ineficazes.
No setor agropecuário, o impacto é direto. A bactéria é uma das principais causas da mastite ambiental em rebanhos leiteiros, gerando inflamações nos animais e prejuízos econômicos com o descarte de leite. A equipe destaca que a contaminação pode ocorrer pelo contato direto, higiene inadequada ou consumo de alimentos como leite cru e carnes mal-passadas.
O projeto atua sob o conceito de “Saúde Única”, que entende a integração entre saúde humana, animal e ambiental. Além do trabalho laboratorial, o grupo realiza ações de extensão orientando produtores rurais sobre o uso responsável de antibióticos pelo Laboratório Integrado de Sanidade Animal e Saúde Coletiva (LISASC). O alerta central dos pesquisadores é que compreender essa circulação é essencial para criar políticas públicas e evitar crises sanitárias.