Redes sociais e saúde mental infantil: especialistas apontam 7 sinais de alerta aos pais

Mudanças emocionais, comportamentais e no sono podem indicar uso problemático das plataformas digitais entre crianças e adolescentes, dizem especialistas

O crescimento do uso dessas plataformas tem despertado preocupação entre famílias, educadores e autoridades de saúde em todo o mundo

O impacto das redes sociais na saúde mental de crianças e adolescentes voltou ao centro do debate público e científico. O crescimento do uso dessas plataformas vem transformando hábitos, relações e emoções cada vez mais cedo, despertando preocupação entre famílias, educadores e autoridades de saúde em todo o mundo.

Mais do que o tempo diante da tela, especialistas alertam para mudanças comportamentais, emocionais e sociais que podem surgir na infância. O tema também tem impulsionado discussões sobre idade mínima para acesso às plataformas. Países como Austrália, Bélgica e França já adotaram regras com consentimento dos pais ou limites etários. No Parlamento Europeu, surgiu a proposta de 16 anos como idade mínima, com proibição de registro para menores de 13. Medidas semelhantes avançam em outras nações.

No Reino Unido, a Câmara dos Lordes apoia a possibilidade de proibir o uso de redes sociais para menores de 16 anos. A proposta, aprovada por maioria, ainda será analisada pela Câmara dos Comuns e pode redefinir a relação entre infância e tecnologia.

Paralelamente, a secretária de Tecnologia Liz Kendall anunciou uma consulta pública de três meses para avaliar vantagens e riscos de uma proibição geral, além de alternativas como restrições noturnas e medidas contra o consumo compulsivo de conteúdo. As conclusões devem ser apresentadas entre junho e agosto.

O que caracteriza dependência de redes sociais

Segundo especialistas da área clínica, o problema não está apenas na quantidade de horas online. O psiquiatra David McLaughlan explicou ao jornal The Independent que a dependência se caracteriza pela perda de controle. O alerta surge quando o uso se torna compulsivo, difícil de interromper e começa a prejudicar o sono, o desempenho escolar, as relações sociais ou o bem-estar emocional.

Os 7 sinais de alerta identificados por especialistas

1) Perda de controle

Quando a criança tenta reduzir o uso e não consegue ou demonstra sofrimento quando o acesso é limitado, isso pode indicar dependência.

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2) Mudanças de humor ligadas ao uso

Ansiedade, tristeza, irritação ou comparações negativas após interações online são sinais importantes.

3) Reações emocionais intensas ao limitar o acesso

Irritação, raiva, ansiedade ou angústia quando precisa desligar ou entregar o celular podem revelar dependência emocional.

4) Preocupação constante e checagem compulsiva

Quando as redes dominam os pensamentos, inclusive durante aulas, refeições ou conversas, o comportamento pode se tornar compulsivo.

5) Alterações no sono

Uso prolongado à noite, dificuldade para se desconectar ou acordar para verificar notificações prejudicam rapidamente a saúde emocional.

6) Abandono de atividades offline e queda no rendimento escolar

Perda de interesse por hobbies, convivência familiar ou amizades presenciais, somada à dificuldade de concentração e piora nas notas, pode indicar prioridade excessiva às redes.

7) Persistência apesar de consequências negativas

Continuar usando mesmo diante de prejuízos claros é um dos sinais mais fortes de dependência.

Impactos na saúde mental, física e social

O uso excessivo pode afetar várias áreas da vida infantil. No campo emocional, especialistas observam aumento da ansiedade, tristeza persistente, baixa autoestima e dificuldade de regular emoções. Fisicamente, surgem problemas como falta de sono, dores de cabeça, fadiga visual e sedentarismo. Socialmente, podem aparecer dificuldades de comunicação presencial, confiança e construção de vínculos seguros.

Por que as redes são tão atraentes para crianças

Segundo McLaughlan, as plataformas são projetadas para ativar o sistema de recompensa do cérebro por meio de curtidas, sequências e rolagem infinita, estimulando a liberação de dopamina. Crianças são mais vulneráveis porque o controle de impulsos e a regulação emocional ainda estão em desenvolvimento.

Orientações para famílias

Especialistas recomendam evitar respostas baseadas apenas em punição. Conversas abertas e calmas ajudam a entender o papel das redes na vida da criança. Também é importante estabelecer limites claros e consistentes, principalmente relacionados ao sono, além de dar exemplo com hábitos digitais saudáveis.

Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.

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