Após a missão Artemis II, Nasa prepara novo pouso tripulado na Lua

Programa Artemis avança com foco no polo sul da Lua, coleta de amostras e preparação para futuras viagens humanas a Marte

Astronautas da missão Artemis II, da Nasa

Após a missão Artemis II, a Nasa já projeta o próximo grande passo da exploração espacial. O objetivo é levar astronautas novamente à superfície da Lua, desta vez com foco científico no polo sul lunar, uma região nunca antes visitada e considerada fundamental para entender a origem do satélite natural e preparar missões futuras rumo a Marte.

O programa Artemis marca o retorno da humanidade à Lua depois de mais de cinquenta anos. A missão Artemis III tem como meta realizar o primeiro pouso tripulado no polo sul lunar, abrindo caminho para uma presença humana duradoura e ampliando o conhecimento sobre a história, os processos geológicos e os recursos da Lua.

Atualmente, a Nasa reagendou o lançamento da Artemis II para março, após concluir testes de abastecimento e ajustes técnicos. Será o primeiro voo tripulado do programa a orbitar a Lua e testar os sistemas da nave Orion e do foguete Space Launch System antes do pouso previsto na Artemis III. O sucesso desta etapa é considerado essencial para que o ser humano volte a caminhar na superfície lunar.

Exploração inédita

De acordo com a Nasa, a Artemis III pretende levar humanos a áreas nunca exploradas, concentrando esforços no polo sul lunar. A missão não busca apenas um pouso seguro, mas também a coleta de amostras e dados capazes de aprofundar a compreensão sobre a formação da Lua e a evolução do sistema solar.

Foram identificadas nove regiões candidatas para o pouso, todas próximas ao extremo sul. A escolha reflete o compromisso da agência em garantir segurança e, ao mesmo tempo, ampliar descobertas científicas e a capacidade de permanência humana na superfície lunar.

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Essa região é considerada estratégica por conter áreas permanentemente sombreadas que podem preservar recursos como água. Segundo especialistas do programa Artemis, o polo sul oferece acesso a alguns dos terrenos mais antigos da Lua e a zonas frias que podem guardar água e outros compostos, abrindo novas possibilidades de pesquisa científica e de uso de recursos em futuras missões.

Como será a missão

O lançamento da Artemis III deve ocorrer a partir do Centro Espacial Kennedy, na Flórida, com o foguete Space Launch System impulsionando a nave Orion, que transportará quatro astronautas.

Na órbita lunar, a Orion se acoplará ao sistema de pouso humano desenvolvido pela SpaceX, a nave Starship. Antes disso, a Starship precisa completar uma série de testes sem tripulação. O plano inclui o envio de um depósito de combustível à órbita terrestre, que será abastecido por várias naves tanque até reunir o propelente necessário para a viagem à Lua.

Quando a Starship alcançar a órbita lunar, aguardará a chegada da Orion. Já na órbita conhecida como halo quase retilínea, dois astronautas se transferirão para a Starship e iniciarão a descida ao polo sul, enquanto os outros dois permanecerão em órbita ao redor da Lua.

O pouso exigirá sistemas autônomos avançados e novos trajes espaciais desenvolvidos para oferecer maior mobilidade. Durante a permanência na superfície, os astronautas explorarão o terreno, coletarão amostras e instalarão experimentos científicos. Enquanto isso, a tripulação que permanecer em órbita completará uma volta ao redor da Lua em cerca de seis dias.

A volta à Terra ocorrerá após a decolagem da Starship da superfície lunar e o reencontro com a Orion. Após a transferência de amostras e suprimentos, a Orion iniciará a viagem de retorno usando o módulo de serviço europeu. A cápsula fará a reentrada na atmosfera a aproximadamente quarenta mil quilômetros por hora e pousará no oceano Pacífico com auxílio de onze paraquedas.

O caminho até Marte

A Artemis III foi planejada com forte foco científico. A missão inclui coleta e análise de amostras, estudos geológicos e instalação de instrumentos para monitorar o ambiente lunar. A seleção dos locais de pouso considerou dados do satélite Lunar Reconnaissance Orbiter, valor científico das regiões, condições geológicas, comunicação com a Terra e viabilidade das trajetórias das naves.

Além do pouso histórico, o programa prepara etapas futuras, como as missões Artemis IV e V, que devem ampliar a exploração com novos veículos e maior atividade científica na superfície lunar.

Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.

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