Do banco ao curral: casal troca carreira corporativa para produzir queijo com café no Sul de Minas

Com mais de 150 queijarias registradas na região, o queijo artesanal mineiro transforma a vida de produtores como Mileny Freitas, que deixou o setor bancário para criar receitas inovadoras em Elói Mendes.

Dia Mundial do Queijo é comemorado no dia 20 de janeiro, mas a iguaria é celebrada todos os dias na região, onde é utilizada em doces, bolos e aperitivo.

A trajetória de Mileny Freitas e seu noivo Diego ilustra uma nova era para o queijo artesanal mineiro: o casal trocou a correria das agências bancárias pela tranquilidade e pelos desafios da fazenda em Elói Mendes. Essa “virada de chave” resultou na criação de receitas autorais, como o queijo Estopa, tratado com borra de café, reforçando o papel de Minas Gerais como um polo de inovação gastronômica. Atualmente, o estado celebra o vigor do setor, com o Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) registrando mais de 150 queijarias que mantêm viva a tradição e a economia local.

Casal trocou os bancos pela fazenda.

O Dia Mundial do Queijo é comemorado no dia 20 de janeiro, mas a iguaria é celebrada todos os dias na região, onde é utilizada em doces, bolos e aperitivos. O chef e presidente da Abrasel no Sul de Minas, André Yuki, destaca que a iguaria é um símbolo de identidade: “O queijo tem um papel fundamental na gastronomia e na cultura de Minas Gerais, especialmente aqui no sul de Minas. Ele não é apenas um ingrediente, é um símbolo de identidade mineira, presente no cotidiano, nas tradições familiares e na criatividade da culinária que marcou o país. Essa presença se revela em pratos que se tornaram ícones nacionais, como o pão queijo, hoje reconhecido internacionalmente, e o clássico Romeo e Julieta, que traduz aquela forma simples e perfeita entre a harmonia entre o doce e o salgado”.

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Para Mileny, o recomeço na fazenda do pai exigiu paciência e muito estudo. Antes de chegar às receitas atuais, o casal enfrentou tentativas frustradas: “O primeiro queijo que a gente tentou fazer foi um parmesão. Mas é óbvio que não deu certo, né? E aí vendo vídeo no YouTube, saiu um queijo, mas ficou bem ruim. E parmesão, o segredo é o tempo, né? Então a gente falou, não, vamos tentar começar pelo caminho que todo mundo começa, né? Vamos fazer o frescal. E aí começamos a fazer o frescal na panela e eu levava pra cidade pra poder vender pro pessoal no banco”, explica a produtora.

Fazenda é de produção de leite.

Hoje, a produção se consolidou com duas receitas que homenageiam as raízes sul-mineiras:

  • Queijo Caboclo: Com seis meses de maturação, é uma homenagem ao pai de Mileny. “A história é que meu pai é apaixonado também por música sertaneja antiga e tem uma música que chama Casa de Caboclo, do Ed e Fábio Cesar”, conta.

Com mais de 150 queijarias registradas na região, o queijo artesanal mineiro transforma a vida de produtores.

  • Queijo Estopa: Uma fusão entre as duas maiores riquezas da região: o leite e o café. “Desde o começo a gente vem modificando a receita e esse ano agora a gente chegou na receita esperada que era o meu sonho, que é fazer um queijo de massa lavada com molhaduras propiônicas... e por isso eu decidi fazer um tratamento nesse queijo com a borra do café. E aí o nome estopa surgiu por isso, porque a casca do queijo, quando você passa a borra, ela ficou muito parecida com um saco de estopa, então a gente decidiu colocar o nome de queijo estopa porque o saco de estopa é o saco que utiliza para armazenar o café”.

Queijo é tratado com borra de café na casca.

O sucesso de pequenos empreendedores como Mileny e Diego é sustentado por um mercado robusto. Dados do Sebrae apontam que o Sul de Minas concentra 1.359 negócios ativos no setor de laticínios, abrangendo desde a fabricação artesanal até o comércio atacadista e varejo de frios.

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