Síndrome cardiorrenal-metabólica: médico explica o que é e como identificar
Condição afeta os rins, coração e metabolismo e se desenvolve de forma silenciosa

A síndrome cardiorrenal-metabólica afeta os rins, o coração e o metabolismo ao mesmo tempo. As alterações em um desses sistemas podem prejudicar os outros, formando um ciclo. Nessa condição, aumenta-se o risco de infarto, insuficiência cardíaca, doença renal crônica e acidente vascular cerebral (AVC).
"Entre os principais fatores envolvidos estão obesidade, diabetes tipo 2, pressão alta, colesterol elevado e acúmulo de gordura na região abdominal. Essas condições favorecem inflamação, alterações hormonais e danos aos vasos sanguíneos, comprometendo progressivamente o funcionamento do coração e dos rins", explica o cardiologista Leonardo Neuenschwander Magalhães.
A síndrome se desenvolve de forma silenciosa ao longo dos anos. “Alguns sinais que merecem atenção incluem pressão alta persistente, aumento da glicemia, excesso de peso, principalmente na cintura, alterações do colesterol, redução da função dos rins, presença de proteína na urina e sintomas como falta de ar, inchaço nas pernas, cansaço excessivo ou diminuição da tolerância aos esforços”, lista o médico.
Para identificar esses sintomas, “o médico pode solicitar exames de sangue e urina, medir a pressão arterial, avaliar o índice de massa corporal e a circunferência abdominal e, quando necessário, realizar exames do coração, como eletrocardiograma e ecocardiograma”.
Como prevenir
A prevenção acontece por meio de hábitos saudáveis que devem ser adotados antes mesmo do aparecimento dos sintomas. "Manter um peso saudável, praticar atividade física regularmente, consumir uma alimentação rica em frutas, verduras, legumes, grãos integrais e proteínas de boa qualidade, evitar o cigarro e moderar o consumo de álcool são medidas que reduzem significativamente o risco", aponta o profissional.
Como os sintomas são silenciosos, é importante fazer check-ups regularmente. "É importante acompanhar periodicamente a pressão arterial, os níveis de glicose e colesterol e a função dos rins, principalmente em pessoas com histórico familiar de doenças cardiovasculares, diabetes ou hipertensão", alerta o Dr. Leonardo Neuenschwander Magalhães.
Tratamento
O tratamento é feito de forma integrada, pois a doença atinge os rins, o coração e o metabolismo. O acompanhamento do paciente pode ser realizado por meio da atuação conjunta de cardiologistas, nefrologistas, endocrinologistas, nutricionistas e profissionais de educação física.
“A primeira etapa envolve mudanças no estilo de vida, como alimentação equilibrada, perda de peso quando necessária, prática regular de atividade física, abandono do cigarro, sono adequado e redução do consumo de bebidas alcoólicas”, diz o cardiologista.
O médico cita que existem medicamentos que tratam problemas no coração e nos rins ao mesmo tempo, e ainda ajudam no controle da obesidade, em alguns casos. “Entre eles estão os inibidores do SGLT2 (dapaglifozina,Empaglifozina) e os agonistas do receptor de GLP-1 (canetinhas emagrecedoras), que passaram a ocupar papel importante nas diretrizes internacionais para pacientes selecionados”, destaca o médico.
Formada em Jornalismo pela Puc Minas, Paula Arantes produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil, Mundo, Orações e Entretenimento no portal da Itatiaia. Atualmente, colabora com a editoria Meio Ambiente. Antes, passou pelo jornal Estado de Minas.



