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Canetas emagrecedoras aumentam a demanda por cirurgias plásticas

Tratamento para obesidade com medicamentos injetáveis mudou o perfil dos procedimentos estéticos mais procurados

Por e 
Uso das canetas pode provocar efeitos físicos como flacidez na pele
Uso das canetas pode provocar efeitos físicos como flacidez na pele • Image by pikisuperstar on Magnific

O uso de canetas emagrecedoras, medicamentos injetáveis à base de GLP-1 para o tratamento de obesidade e diabetes, revoluciona diversos mercados, desde bares e restaurantes até academias. Com as cirurgias plásticas, o cenário não é diferente, as famosas ‘canetinhas’ promoveram uma mudança no perfil de procedimentos estéticos e transformaram a demanda da mesa de cirurgia.

Diferente de outros tratamentos para a perda de peso, esses medicamentos causam poucos ou nenhum efeito colateral. Segundo o doutor Mauro Jácome, especialista em gastroenterologia, endoscopia e cirurgia, as canetas surgiram para agregar os tratamentos contra a obesidade e facilitar a vida dos pacientes que não querem passar por intervenções complexas.

“Milhões de pacientes não procuravam um procedimento e, agora, eles se sentem mais confortáveis de buscar tratamento com uma medicação que é eficaz, diferente das medicações anteriores que não tinham um resultado tão grande. A ideia de utilizar uma medicação semanal e efetiva para o tratamento da obesidade é bem atrativa, desde que feita de maneira correta e dentro de um protocolo de emagrecimento”, explicou.

Apesar de não causarem enjoo, mau humor e insônia, como outros medicamentos, o uso das canetas pode provocar efeitos físicos como flacidez na pele e até o “rosto de ozempic”, que deixa o paciente com um aspecto envelhecido. Tudo isso acaba gerando novas demandas para a mesa de cirurgia plástica, como explica o doutor Guilherme de Castro Greco, presidente da regional de Minas Gerais da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP-MG).

“O uso das canetas emagrecedoras contribuiu para o aumento das cirurgias plásticas. O que é um aspecto positivo, porque os pacientes que estavam com sobrepeso muito grande vinham nos procurar. Agora, eles já chegam com um peso mais próximo do peso ideal, mais bem controlados do ponto de vista metabólico”, disse.

Doutor Guilherme de Castro Greco, presidente da regional de Minas Gerais da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP-MG) • Bruno Nogueira | Itatiaia
Doutor Guilherme de Castro Greco, presidente da regional de Minas Gerais da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP-MG) • Bruno Nogueira | Itatiaia

A nível de consultório, o especialista estima que a demanda cresceu entre 15% e 20% para as chamadas cirurgias de contorno corporal, principalmente nas regiões das mamas, abdômen, braços, coxas e até nas costas. Essa procura se dá devido a perda de peso intensa que os pacientes apresentam. “São os lugares em que após a perda de peso, os pacientes se sentem mais incomodados”, emendou.

“O que nós fazemos é como se fosse um ajuste de vestido de noiva. É um ajuste na pele do paciente para comportar a nova estrutura corporal, e a gente retira o excedente. Claro, ao retirar a pele vai ter o impacto da presença das cicatrizes, que serão maiores o quanto maior for a quantidade de pele retirada”, destaca Greco.

Atenção psicológica

A perda de peso também gera novas demandas para nutricionistas, educadores físicos e cirurgiões plásticos. Mas além disso, gera uma série de questões que precisam ser trabalhadas por profissionais da psicologia. Após anos de obesidade, os pacientes precisam aprender a lidar com o novo corpo e conciliar com sua rotina alimentar.

A psicóloga Renata Borja, especialista em terapia cognitiva comportamental, explica que, muitas vezes, o estômago já entendeu que precisa comer menos, mas a cabeça ainda não se adaptou à nova realidade. “A caneta tem de servir para a pessoa aprender a mudar os hábitos e sua forma de se relacionar com a comida”, declarou.

Renata Borja, especialista em terapia cognitiva comportamental, explica que, muitas vezes, o estômago já entendeu que precisa comer menos, mas a cabeça ainda não • Célio Ribeiro | Itatiaia
Renata Borja, especialista em terapia cognitiva comportamental, explica que, muitas vezes, o estômago já entendeu que precisa comer menos, mas a cabeça ainda não • Célio Ribeiro | Itatiaia

“Uma pessoa quando tem compulsão alimentar, em todos os desconfortos dela, seja emocional ou até cansaço físico e mental, ela vai buscar na comida uma forma de tranquilização. As pessoas, quando usam essa estratégia, acabam fazendo com que elas se sintam culpadas. Quando a pessoa usa somente a estratégia emocional por meio da comida, ela come em excesso, explicou.

A especialista também ressalta que é preciso ter autocontrole para evitar o ganho de peso após o fim do tratamento com as canetas emagrecedoras. “Se a pessoa não aprender, na hora que ela tirar a caneta, provavelmente vai ter dificuldade. Ela precisa utilizar a caneta fazendo também uma reeducação alimentar e psicológica”, completou.

Tratamento multidisciplinar

Os especialistas destacam a importância de um acompanhamento multidisciplinar para os pacientes que fazem tratamento com GLP-1. Segundo o doutor Mauro Jácome, é recomendável que o processo ocorra com a presença de profissionais da endocrinologia, nutricionistas, psicólogos e outros profissionais.

Segundo o doutor Mauro Jácome, é recomendável que o processo seja acompanhado por vários profissionais • Divulgação
Segundo o doutor Mauro Jácome, é recomendável que o processo seja acompanhado por vários profissionais • Divulgação

De acordo com o médico, o controle da obesidade só pode ser atingido quando o paciente passa por mudanças no seu cotidiano. “Se ele tem problemas na dieta, por exemplo, tem de se elaborar um cardápio dentro do que esse paciente gosta. Se ele tem hábitos de compulsão alimentar, estresse aliviado com a comida, que ele faça controle da ansiedade ou depressão. Quanto mais ativo na vida, melhor”, completou.

Série especial

Ao longo desta semana, a Itatiaia vai publicar uma série de reportagens mostrando o impacto da difusão dos medicamentos injetáveis na sociedade. As publicações vão abordar as mudanças provocadas em bares e restaurantes, tratamentos estéticos, academias, e até na indústria da moda.

  1. ‘Canetas emagrecedoras’ se popularizam e chegam a 33% dos domicílios brasileiros
  2. Canetas emagrecedoras transformam o consumo e exigem adaptação de bares e restaurantes
  3. Mercado de academias e moda ganham impulso com canetas emagrecedoras
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Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.

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Jornalista formado pela UFMG, com passagens pela Rádio UFMG Educativa, R7/Record e Portal Inset/Banco Inter. Colecionador de discos de vinil, apaixonado por livros e muito curioso.