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Mercado de academias e moda ganham impulso com canetas emagrecedoras

Setores “surfam” a onda fitness, se transformam e trabalham para atrair novos clientes

Por e 
A administradora Fernanda Braga, de 39 anos, alinhou o uso de canetas ao exercício físico
A administradora Fernanda Braga, de 39 anos, alinhou o uso de canetas ao exercício físico • Bruno Nogueira | Itatiaia

A onda fitness que atingiu o Brasil nos últimos anos não vai desaparecer tão cedo. Com a propagação de vidas saudáveis nas redes sociais e maior valorização de um bem-estar físico e mental, quem se beneficia é o setor de academias, que vê nas canetas emagrecedoras o novo impulso para atrair novos clientes.

Segundo levantamento do Panorama Setorial Fitness Brasil, elaborado pela Fitness Brasil em parceria com a EY e a Armatore Market + Science, o número de academias no país triplicou desde 2015, saindo de 22.581 CNPJs ativos para pouco mais de 60 mil em 2025. Agora, a expectativa até 2027 é atingir 70 mil unidades ativas.

Em entrevista ao jornal O Globo, Felipe Barth de Castro, CEO da Panobianco, segunda maior rede de academias do país, classificou as canetas emagrecedoras como “o santo graal” do setor. “É um momento áureo para os números do setor. Hoje, o GLP-1 ainda é pouco acessível, mas as versões nacionais e a chegada dos comprimidos vão atingir em cheio a classe C, trazendo esse público para as academias”, disse.

A alta não se deve apenas pela necessidade médica de aliar exercício físico ao tratamento contra obesidade. É o que analisa o educador físico Diogo Fiorini, gerente da Bodytech da Savassi, na região Centro-Sul de Belo Horizonte, ao explicar que os medicamentos a base de semaglutida e trizepatida contribuem para que os pacientes se sintam confortáveis dentro dos centros de atividade física.

“Hoje, uma das grandes barreiras de se entrar na atividade física, propriamente dito em uma academia, tem a ver com a estética e com a capacidade de se movimentar. Para um sujeito que está acima do peso, não é só uma questão de não ter vontade de praticar atividade física. É difícil. Na hora que a pessoa adere a uma estratégia de emagrecimento e perde peso, tudo fica mais simples”, explicou.

Segundo o especialista, há um movimento de procura pelas academias por parte do público em processo de emagrecimento, principalmente no que tange a necessidade de ganho de massa magra ou melhora da estética e saúde muscular. “O que a gente imaginava que poderia afastar as pessoas da academia, virou uma onda diferente. O fato de emagrecer está tirando uma barreira que era grande para a pessoa aderir à atividade física”, emendou.

Bem-estar e conforto

Fiorini ainda destaca que as academias não perdem clientes para as canetas emagrecedoras ou até mesmo para redes concorrentes, mas pela falta de conforto que os alunos podem sentir ao frequentar o ambiente. Para ele, os medicamentos injetáveis romperam uma barreira que pessoas acima do peso tinham para se envolverem com o ambiente.

Diogo Fiorini, gerente da Bodytech da Savassi, diz que as canetas ajudam os alunos a se sentirem confortáveis nas academias • Bruno Nogueira | Itatiaia
Diogo Fiorini, gerente da Bodytech da Savassi, diz que as canetas ajudam os alunos a se sentirem confortáveis nas academias • Bruno Nogueira | Itatiaia

“A maioria das pessoas abandonam a atividade física para ficar no sofá. A gente não perde para o concorrente, a gente perde pra o que faz a pessoa não continuar. Então hoje, o ambiente e a comunidade fazem muita diferença e fazem as pessoas ficarem”, completou.

A administradora Fernanda Braga, de 39 anos, conta que passou a utilizar as canetas emagrecedoras há dois anos, após um momento difícil que foi o falecimento do pai, quando ganhou peso e não conseguia mais perder. Ela explica que procurou uma equipe multidisciplinar, com academia, nutricionista e médico especialista, para que o processo acontecesse de forma “natural”, e já perdeu quase 20 quilos.

“Eu era muito do esporte, mas quando você chega a um peso elevado, é muito difícil continuar. Quando você vai voltando para o peso normal, você vê que a vida vai se tornando mais fácil, não só pela questão estética, mas a saúde mesmo”, disse.

Mudança no vestuário

A busca por uma vida saudável também se reflete no setor de vestuário, que já começa a sentir os efeitos dessa nova realidade. André Soalheiro, presidente da Associação Comercial do Barro Preto e diretor da Babita, rede de revendedoras de moda feminina, revela que pelo menos 20% dos seus clientes plus size passaram a comprar roupas do tamanho regular. Para o empresário, a nova realidade é positiva para o setor.

André Soalheiro, presidente da Associação Comercial do Barro Preto e diretor da Babita, observa uma queda nos clientes plus size • Bruno Nogueira | Itatiaia
André Soalheiro, presidente da Associação Comercial do Barro Preto e diretor da Babita, observa uma queda nos clientes plus size • Bruno Nogueira | Itatiaia

“A gente percebe uma leve diminuição no plus size, mas é difícil se manter em forma. Passar a ter opção de escolher vai fazer com que esse público, não tinha essa opção, mudar o seu guarda roupa e renovar sua imagem. Quando as pessoas renovam a imagem, é um ótimo momento para o mercado de moda”, declarou.

O empresário destaca que a queda nos índices de obesidade são positivos para toda a cadeia, uma vez que as pessoas podem reduzir os gastos com remédios e tratamentos diversos, e investir na própria imagem. Ele ressalta que o plus size continuará no mercado, mas cabe aos lojistas entender a mudança nas demandas e adequarem as suas estratégias.

“Pode até ser uma transformação, mas que está ocorrendo ao longo de um período, o que dá às empresas chance de adaptarem. É importante ficar atento e controlar. Se você só vende plus size, talvez seja a hora de pensar em novas estratégias. Mas se quiser ficar nesse mercado, talvez você tenha que optar por abrir uma marca de tamanhos menores”, completou.

Para a administradora Fernanda Braga, a renovação do guarda-roupa se tornou uma “despesa prazerosa” com a perda de peso proveniente das canetas emagrecedoras. “De roupa é muito engraçado, porque chega em um ponto que para de usar calça jeans. Eu usava 46, e agora estou usando 42. Pela primeira vez eu estou emagrecendo, a roupa não serve, e estou bem em doar porque sei que não volto para aquele ponto”, completou.

Reforma de roupas antigas

Se o custo de uma roupa nova pode pesar no bolso, a solução pode ser reformar peças antigas em uma costureira. Há mais de 30 anos, a empresária Rosalina Cipriano comanda o Atelier do Reparo no BH Shopping, e agora vê um aumento expressivo no volume de clientes que entram na loja procurando uma reforma ou um ajuste nas peças.

Rosalina Cipriano comanda o Atelier do Reparo no BH Shopping, e afirma que teve um aumento expressivo no volume de clientes buscando reparos no guarda-roupa • Célio Ribeiro | Itatiaia
Rosalina Cipriano comanda o Atelier do Reparo no BH Shopping, e afirma que teve um aumento expressivo no volume de clientes buscando reparos no guarda-roupa • Célio Ribeiro | Itatiaia

“Antigamente, a gente recebia na loja em torno de dois clientes por mês que vinham trazer roupas por conta da perda de peso para fazer uma customização, uma reforma, um ajuste. Depois das canetas emagrecedoras, esse número pulou para três ou quatro por semana. Aumentou muito o volume de clientes”, declarou.

Segundo a empresária, se tornou fácil lidar com clientes que perderam peso, uma vez que ele chega na loja com a autoestima elevada. “Comprar um guarda-roupa novo não é fácil para todo mundo. O cliente pega algumas peças, traz, experimenta. Ele gostou, então traz mais roupas. Isso tem sido uma coisa muito legal”, exclamou.

Série especial

Ao longo desta semana, a Itatiaia vai publicar uma série de reportagens mostrando o impacto da difusão dos medicamentos injetáveis na sociedade. As publicações vão abordar as mudanças provocadas em bares e restaurantes, tratamentos estéticos, academias, e até na indústria da moda.

  1. ‘Canetas emagrecedoras’ se popularizam e chegam a 33% dos domicílios brasileiros
  2. Canetas emagrecedoras transformam o consumo e exigem adaptação de bares e restaurantes
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Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.

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Jornalista formado pela UFMG, com passagens pela Rádio UFMG Educativa, R7/Record e Portal Inset/Banco Inter. Colecionador de discos de vinil, apaixonado por livros e muito curioso.