Câncer de orofaringe: especialista explica doença enfrentada por Edward Boggiss
Segundo a oncologista clínica Laura Silva Costa, o câncer de orofaringe é um tumor que se desenvolve na parte intermediária da garganta

A morte do ator Edward Boggiss, aos 49 anos, voltou a chamar a atenção para o câncer de orofaringe, doença que ele enfrentou nos últimos anos. Conhecido por trabalhos em "Malhação" e na série "Sandy & Júnior", Boggiss também enfrentava um câncer de pulmão, como ele mesmo já revelou em entrevistas anteriores.
Embora a causa da morte não tenha sido informada pela família, o caso reacendeu o debate sobre a importância do diagnóstico precoce e da prevenção desses tipos de câncer, que podem comprometer funções essenciais do organismo.
Segundo Laura Silva Costa, oncologista clínica do Grupo Orizonti e do Instituto de Oncologia Ciências Médicas, o câncer de orofaringe é um tumor que se desenvolve na parte intermediária da garganta, região que inclui as amígdalas, a base da língua, o palato mole e as paredes laterais e posteriores da garganta.
"Esse tipo de câncer pode comprometer funções importantes, como falar, mastigar, engolir e respirar", explica a médica.
Já o câncer de pulmão surge quando células anormais passam a crescer de forma descontrolada no tecido pulmonar, podendo atingir inicialmente os brônquios ou outras estruturas do órgão. "Se não tratado, pode invadir tecidos vizinhos e se disseminar para outros órgãos", destaca.
Quais são os sinais de alerta?
De acordo com a médica, o câncer de pulmão está entre os tipos mais frequentes e continua sendo uma das principais causas de morte por câncer no mundo. "No Brasil, ele também apresenta elevada incidência, principalmente entre pessoas com histórico de tabagismo, embora possa ocorrer em quem nunca fumou", explica.
No caso do câncer de orofaringe, Laura destaca que, além da associação com cigarro e consumo excessivo de álcool, cresce o número de casos relacionados à infecção persistente pelo papilomavírus humano (HPV), especialmente entre pessoas mais jovens.
Entre os principais sintomas do câncer de orofaringe estão dor de garganta persistente, dificuldade ou dor para engolir, rouquidão, sensação de algo preso na garganta, feridas que não cicatrizam, aumento dos linfonodos no pescoço e perda de peso sem causa aparente.
Já o câncer de pulmão costuma provocar tosse persistente, alteração no padrão da tosse habitual, falta de ar, dor no peito, escarro com sangue, rouquidão, infecções respiratórias recorrentes e emagrecimento inexplicado.
"É importante lembrar que esses sintomas também podem ocorrer em doenças benignas, mas quando persistem por semanas, devem ser avaliados por um profissional de saúde", alerta a profissional.
Como é feito o diagnóstico?
Laura explica que o diagnóstico começa com avaliação clínica e exame físico: no câncer de orofaringe, podem ser solicitados exames como nasofibrolaringoscopia, tomografia computadorizada, ressonância magnética e PET-CT, conforme a necessidade. A confirmação, no entanto, depende da realização de uma biópsia. Nos casos associados ao HPV, também podem ser feitos testes específicos para identificar a presença do vírus no tumor.
Para o câncer de pulmão, a investigação geralmente tem início com radiografia e tomografia computadorizada de tórax. Dependendo dos achados, podem ser necessários exames como broncoscopia, biópsia guiada por tomografia e ultrassom endobrônquico para confirmação do diagnóstico.
"Após a confirmação do câncer, são realizados exames de estadiamento e testes moleculares que ajudam a definir a extensão da doença e direcionar o tratamento mais adequado para cada paciente", conta ela.
Tratamento e chances de cura
De acordo com Laura Silva Costa, o tratamento é individualizado e leva em consideração o tipo de tumor, o estágio da doença, a localização, as características moleculares e as condições clínicas do paciente.
"Entre as opções terapêuticas estão cirurgia, radioterapia, imunoterapia e terapias-alvo, que podem ser utilizadas isoladamente ou em combinação. Nos casos diagnosticados em fases iniciais, tanto o câncer de orofaringe quanto o câncer de pulmão podem apresentar boas chances de cura, especialmente quando o tratamento é iniciado rapidamente", afirma.
Mesmo em estágios mais avançados, a oncologista destaca que os avanços da medicina têm permitido tratamentos mais eficazes, capazes de controlar a doença por longos períodos, aliviar sintomas, aumentar a sobrevida e preservar a qualidade de vida.
A prevenção continua sendo a melhor estratégia
A especialista reforça que o diagnóstico de câncer não deve ser encarado como uma sentença definitiva, já que a oncologia evoluiu significativamente nas últimas décadas. Entre as principais medidas preventivas, ela cita não fumar, reduzir o consumo de bebidas alcoólicas, manter hábitos de vida saudáveis e, no caso do câncer de orofaringe, a vacinação contra o HPV, além de não ignorar os sintomas.
"O diagnóstico precoce aumenta significativamente as chances de sucesso no tratamento e melhora o prognóstico. O cuidado oncológico vai muito além do tratamento da doença: envolve acolhimento, informação de qualidade e acompanhamento contínuo em todas as etapas da jornada do paciente", conclui.
André Viana é jornalista, formado pela PUC-MG. Já trabalhou como redator e revisor de textos, produtor de pautas e conteúdos para rádio e TV, social media, além de uma temporada no marketing.
Patrícia Marques é jornalista e especialista em publicidade e marketing. Já atuou com cobertura de reality shows no ‶NaTelinha” e na agência de notícias da Associação Mineira de Rádio e Televisão (Amirt). Atualmente, cobre a editoria de entretenimento na Itatiaia.




