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Por que canetas para emagrecer não funcionam para todo mundo?

Estudos revelam que genética, tipo de fome e fatores emocionais podem reduzir os efeitos dos medicamentos para perda de peso em parte dos pacientes

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Uso de 'canetas emagrecedoras' preocupam pesquisadores em análise de consequências a longo prazo
Cientistas identificaram mutações que alteram a forma como o organismo responde ao hormônio GLP-1 • Reprodução/Freepik

Os medicamentos à base de GLP-1, como os contidos nas famosas canetas emagrecedoras, revolucionaram o tratamento da obesidade e ajudaram milhões de pessoas a perder peso. Apesar dos resultados expressivos em muitos pacientes, uma parcela significativa não consegue alcançar o mesmo sucesso. A ciência já começa a entender por que isso acontece.

Pesquisas recentes indicam que a resposta aos medicamentos pode variar por diversos fatores, incluindo características genéticas, diferenças biológicas e até a forma como cada pessoa desenvolve a relação com a comida, conforme destaca o portal de notícias G1.

Um dos fatores mais importantes está na genética. Cientistas identificaram mutações que alteram a forma como o organismo responde ao hormônio GLP-1, responsável por controlar a fome e aumentar a sensação de saciedade. Pessoas com essas alterações podem apresentar níveis elevados do hormônio circulando no organismo, mas sem obter o efeito esperado, o que caracteriza uma espécie de resistência biológica ao tratamento.

Outro estudo, que analisou dados genéticos de quase 28 mil pessoas em uso de medicamentos dessa classe, encontrou variações nos genes conhecidos como GLP-1R e GIPR. Essas diferenças foram associadas a uma menor perda de peso, além de índices de massa corporal mais elevados e maior frequência de alterações metabólicas. Os pesquisadores acreditam que essas características ajudam a explicar por que alguns pacientes respondem pouco ao tratamento.

Além da genética, especialistas destacam que a obesidade não tem uma única causa. Existem diferentes mecanismos que levam uma pessoa a comer mais, e nem todos são combatidos pelos medicamentos.

Entre eles está a chamada fome metabólica, relacionada à energia necessária para manter o funcionamento do organismo, e a fome intestinal, que representa a necessidade fisiológica de alimentação. Nesses casos, os medicamentos costumam atuar com maior eficácia ao reduzir o apetite e prolongar a sensação de saciedade.

Já quando a alimentação está ligada principalmente a fatores emocionais, como ansiedade, estresse ou depressão, os resultados podem ser mais limitados. Isso acontece porque os remédios não tratam diretamente as causas psicológicas que levam ao excesso de comida.

Um estudo observacional realizado no Japão mostrou que pessoas que comem motivadas por questões emocionais apresentaram menor probabilidade de alcançar perdas significativas de peso durante o tratamento com medicamentos à base de GLP-1.

Por isso, especialistas defendem que o tratamento da obesidade seja individualizado. Em pacientes com compulsão alimentar ou alimentação emocional, a combinação dos medicamentos com terapia cognitivo-comportamental pode aumentar as chances de sucesso. Já para quem apresenta fome fisiológica mais intensa, uma alimentação rica em proteínas e fibras tende a potencializar os efeitos dos remédios.

Os pesquisadores reforçam que os medicamentos para emagrecer continuam sendo ferramentas importantes no combate à obesidade, mas não representam uma solução única.

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Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.