Dormir mais de 9h pode aumentar risco de perda de mobilidade em homens idosos, diz estudo
Pesquisa acompanhou mais de 3 mil pessoas por oito anos e identificou associação entre sono prolongado e redução da velocidade da caminhada entre homens com mais de 60 anos

Homens com mais de 60 anos que dormem mais de nove horas por noite podem ter maior risco de perder mobilidade ao longo do envelhecimento. A conclusão é de um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e da University College London, divulgado pela Agência FAPESP e publicado no Journal of the American Medical Directors Association.
A pesquisa acompanhou 3.208 idosos durante oito anos, sendo 1.582 homens e 1.626 mulheres participantes do Estudo Longitudinal Inglês sobre Envelhecimento (ELSA). Os pesquisadores observaram que os homens que dormiam mais de nove horas por noite apresentaram uma redução mais acentuada na velocidade da caminhada, chegando a perder até um quarto da velocidade inicial. Entre as mulheres, a mesma associação não foi identificada.
Segundo Tiago da Silva Alexandre, professor do Departamento de Gerontologia da UFSCar e autor do estudo, o problema não está apenas na quantidade de horas dormidas, mas na qualidade do sono. "Embora durmam mais horas, essas pessoas tendem a ter um sono mais fragmentado e com menos fases profundas. Esse tipo de sono compromete a liberação de testosterona, um hormônio essencial para a manutenção da massa muscular, sobretudo em homens", explicou à Agência FAPESP.
Os pesquisadores afirmam que esse padrão de sono também está relacionado ao chamado inflammaging, processo de inflamação crônica de baixo grau associado ao envelhecimento. Esse mecanismo favorece a perda de força e de massa muscular, contribuindo para a redução da mobilidade.
A coautora do estudo, Patrícia Silva Tofani, professora da Universidade Federal de Sergipe (UFS), explica que o efeito não foi observado nas mulheres devido às diferenças hormonais. "Nas mulheres, outros hormônios, como o IGF-1 e o GH, desempenham papel mais relevante no anabolismo muscular do que a testosterona. Por isso, o impacto não foi significativo", afirmou à Agência FAPESP.
Os autores destacam que a lentidão da marcha é um importante indicador de saúde na terceira idade, pois está associada ao aumento do risco de quedas, hospitalizações, perda da independência e mortalidade. Por isso, defendem que dormir mais de nove horas por noite seja considerado um marcador clínico de risco para homens idosos.
De acordo com Alexandre, o padrão esperado de sono muda com o envelhecimento, mas o ideal para pessoas idosas continua sendo entre seis e nove horas por noite. "Para o idoso, que fisiologicamente tende a dormir menos e ter mais cochilos diurnos, dormir mais de nove horas à noite é um padrão incomum, que pode sugerir vulnerabilidade clínica", ressaltou o pesquisador à Agência FAPESP.
Estudante de Jornalismo na PUC e apaixonada pela área, Gabriela Neves gosta de contar histórias empolgantes e desafiadoras. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e mundo. Tem experiência em marketing pela Rock Content, cobertura de cidades pela Record Minas e assessoria política na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.



