Facelift: especialista explica por que pacientes mais jovens buscam a cirurgia
Pacientes com idade entre 35 e 45 anos têm buscado cada vez mais tratamentos de rejuvenescimento no rosto

O interesse por procedimentos para prevenir os sinais do envelhecimento tem crescido entre pessoas mais jovens. Segundo especialistas, pacientes entre 35 e 45 anos têm buscado cada vez mais tratamentos estruturais para preservar os contornos do rosto e retardar a flacidez, em vez de recorrer a cirurgias apenas quando o envelhecimento já está avançado.
De acordo com o cirurgião plástico Eduardo Sucupira, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, o perfil dos pacientes mudou nos últimos anos. "O paciente dos dias de hoje não quer mais um rosto transformado. Ele quer preservar sua anatomia, sua expressão e sua identidade ao longo do tempo", afirma.
Segundo o especialista, o envelhecimento facial vai além da pele e envolve alterações em estruturas profundas, como ligamentos, gordura e ossos da face. Por isso, algumas pessoas passam a notar mudanças discretas na definição do rosto antes mesmo do aparecimento de uma flacidez evidente. "O facelift moderno deixou de ser uma cirurgia de correção tardia. Hoje falamos em reposicionamento preventivo e manutenção estrutural do envelhecimento facial", explica.
Essa mudança também acompanha uma nova percepção sobre beleza. Após anos marcados pelo uso frequente de preenchimentos faciais, cresce a procura por resultados mais naturais e discretos. Em alguns casos, pacientes têm optado por abordagens estruturais, como o mini lifting, em vez de recorrer ao excesso de procedimentos volumizadores.
"Em determinados pacientes, o excesso de preenchimento acaba mascarando a perda de definição mandibular, aumentando o peso facial e comprometendo justamente aquilo que o paciente contemporâneo mais deseja: naturalidade", observa Eduardo Sucupira. Para ele, pequenas correções realizadas no momento adequado permitem reposicionar os tecidos com resultados mais harmônicos. "O melhor facelift é aquele que ninguém identifica como cirurgia, mas todos percebem como vitalidade", diz.
Além dos procedimentos estéticos, especialistas ressaltam que o envelhecimento saudável também depende do estilo de vida. O professor e preparador físico João Carlos Simões explica que alimentação equilibrada, sono adequado e prática regular de atividade física influenciam diretamente a saúde da pele e o processo de envelhecimento. "Hoje entendemos que sedentarismo, privação de sono, altos níveis de estresse e inflamação crônica aceleram diretamente os mecanismos biológicos do envelhecimento", afirma.
Segundo Simões, a atividade física contribui para a manutenção muscular, melhora a oxigenação dos tecidos e favorece o equilíbrio hormonal, fatores que também refletem na aparência da pele. Para ele, o conceito de beleza tem incorporado cada vez mais aspectos relacionados à saúde, à disposição e ao bem-estar, em um movimento que privilegia resultados mais naturais.
Apesar do aumento da procura por procedimentos em pacientes mais jovens, Eduardo Sucupira ressalta que a indicação cirúrgica deve ser individualizada. "A indicação de um mini lifting ou de um facelift precoce depende de fatores individuais: genética, qualidade cutânea, perda de colágeno, emagrecimento, exposição solar, tabagismo e padrão específico de envelhecimento", pontua. "Em uma era marcada por filtros, excessos e rostos padronizados, preservar naturalidade tornou-se o procedimento mais sofisticado de todos", conclui o cirurgião plástico.
Formada em Jornalismo pela Puc Minas, Paula Arantes produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil, Mundo, Orações e Entretenimento no portal da Itatiaia. Atualmente, colabora com a editoria Meio Ambiente. Antes, passou pelo jornal Estado de Minas.



