Especialista cria guia da boa convivência com o idoso; veja quais comportamentos evitar
Fisioterapeuta especialista em gerontologia explica oito dicas dos 'Mandamentos da Boa Convivência com o Idoso'

O estilo de vida ageless, “sem idade” na tradução para o português, refere-se a pessoas que se recusam a ser limitadas pela idade que possuem. Em relação às pessoas com 60 anos ou mais, a fisioterapeuta Kelly Lemos, especialista em gerontologia, aponta que são os “novos idosos”.
"Ele não quer mais ser o 'vovô do crochê'; quer viajar, fazer cursos e sentar no chão para brincar com os netos", explica a profissional em participação no programa Chamada Geral, da Itatiaia, nesta segunda-feira (17).
Para acompanhar essa transformação, a especialista elaborou uma cartilha com atitudes que incomodam os idosos não gostam que façamos com eles. Os “Mandamentos da Boa Convivência com o Idoso” auxiliam na adaptação a esse novo estilo de vida.
Veja as dicas a seguir.
1- Nem toda pessoa idosa tem deficiência auditiva
“Muitas pessoas gritam com o idoso sem necessidade. O ideal é abaixar-se à altura dos olhos e articular bem as palavras. Tons agudos, como gritos, são mais difíceis de o idoso processar devido à afinação natural do ouvido no envelhecimento”, recomenda a fisioterapeuta.
2- Evite apelidos genéricos como "vó", "vô" ou "mãezinha".
A dica vale para idosos com quem não se tem proximidade. No caso de apelidos carinhosos, chamar de “vovó”, “vovô” e suas variações está liberado. “A pessoa tem um nome. Chamar de 'vovozinho' alguém com quem você não tem intimidade é uma invasão de privacidade que causa incômodo”, diz a especialista.
3- Não faça testes de memória
“Perguntar 'você lembra de mim?' é desagradável. O correto e mais delicado é você se identificar primeiro: 'Oi, Dona Maria, eu sou a Kelly, a fisioterapeuta'. Isso dá a oportunidade de ela resgatar a lembrança sem constrangimento”.
4- Não fale da pessoa como se ela fosse invisível.
“É comum que médicos ou familiares conversem sobre o idoso na frente dele, mas ignorando sua presença. Eu sempre faço questão de ouvir o paciente diretamente: ‘Seu Antônio, me conta a sua versão’. Isso traz dignidade e humaniza o atendimento”.
5- Não retire a capacidade funcional por ‘cuidado’
“Quando você tira um copo ou um prato da mão da sua mãe porque tem medo que ela quebre, a mensagem que ela recebe é: 'eu não sirvo para mais nada'. O ideal é perguntar se ela precisa de ajuda ou fazer a atividade junto com ela.”
6- Não infantilizar o idoso
"Evite termos como 'papar', 'pezinho' ou 'mãozinha'. O idoso é um adulto e deve ser tratado como tal."
7- Não puxe pelo braço
“Ao caminhar, não dite o ritmo puxando a pessoa; isso causa quedas. Ofereça o seu braço para que ela se apoie e você acompanhe o ritmo dela.”
8- Não toque no cabelo nem na cabeça
“Assim como não se deve tocar na barriga de uma grávida sem permissão, o cabelo da idosa é o corpo dela, o espaço dela. Muitas vezes, ela gastou tempo fazendo o penteado e alguém vem e o bagunça por 'carinho'. É invasivo”.
Formada em Jornalismo pela Puc Minas, Paula Arantes produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil, Mundo, Orações e Entretenimento no portal da Itatiaia. Atualmente, colabora com a editoria Meio Ambiente. Antes, passou pelo jornal Estado de Minas.



