Uma noite mal dormida já pode causar envelhecimento do rosto? Especialista explica
Sinais do cansaço aparecem na pele logo após uma noite de sono mal dormida

Uma noite de sono ruim pode ser suficiente para deixar marcas visíveis no rosto na manhã seguinte. Thiago Martins, biomédico e mestre em Medicina Estética, explica que a região dos olhos costuma ser a primeira a denunciar o cansaço.
"A pessoa dorme mal e, na manhã seguinte, já percebe o rosto diferente. A região dos olhos costuma entregar primeiro: a olheira fica mais evidente, as pálpebras podem amanhecer inchadas e a pele perde um pouco daquele aspecto descansado, luminoso. Parece mais opaca, mais cansada", afirma o especialista.
Apesar disso, uma noite mal dormida não provoca envelhecimento imediato. "Uma noite ruim não envelhece a pele de uma hora para outra. O que vemos no espelho no dia seguinte costuma ser, em grande parte, transitório. Há mudanças na circulação, na hidratação da pele e na distribuição de líquidos, e tudo isso interfere na aparência do rosto. Quando a pessoa volta a dormir bem, boa parte desses sinais tende a melhorar."
A preocupação aumenta quando dormir pouco deixa de ser exceção e passa a fazer parte da rotina. "O sono é um período de recuperação para o organismo, e a pele não fica de fora. Enquanto dormimos, acontecem processos importantes para a manutenção da barreira cutânea, para o equilíbrio de água na pele, para a resposta imunológica e para o reparo das agressões que acumulamos durante o dia." Segundo o especialista, a privação recorrente também interfere no ritmo circadiano e em mediadores hormonais e inflamatórios.
A intensidade dos sinais varia de pessoa para pessoa. "Não há um relógio que marque: ‘depois de tantas horas sem dormir, a pele começa a sofrer’. Isso varia muito. Idade, genética, hidratação, alimentação, álcool, exposição solar, estresse e as próprias características da pele influenciam bastante." Por isso, enquanto algumas pessoas apresentam alterações visíveis após uma única noite, outras demonstram menos sinais.
As olheiras são um dos exemplos mais comuns. "É muito comum atribuir qualquer olheira ao cansaço, mas não é tão simples. Há pessoas que têm olheiras por características anatômicas, pigmentação, vasos mais aparentes, alergias ou perda de volume na região. A falta de sono não necessariamente cria uma olheira do nada; muitas vezes, ela acentua o que já estava ali." Como a pele ao redor dos olhos é muito fina, alterações vasculares, de hidratação ou de volume tornam-se mais evidentes.
O mesmo pode ocorrer com as linhas de expressão. "Às vezes a pessoa acorda, olha no espelho e tem a impressão de que envelheceu naquela noite. Não envelheceu. Linhas finas podem parecer mais marcadas quando a pele está menos hidratada, mais inchada ou simplesmente com menos viço." Thiago Martins ressalta que o envelhecimento verdadeiro é construído ao longo de anos e envolve fatores como exposição solar, genética, tabagismo e hábitos de vida.
A diferença está, principalmente, na frequência da privação de sono. "Uma coisa é passar uma noite em claro e acordar com o rosto abatido. Outra é dormir mal durante semanas, meses ou anos. Na privação crônica, já existem estudos relacionando a pior qualidade do sono a uma recuperação menos eficiente da barreira cutânea, maior perda de água pela pele e maior percepção de sinais de envelhecimento."
Por isso, produtos cosméticos não substituem o descanso adequado. "Um hidratante pode melhorar a aparência da pele, uma rotina bem indicada pode ajudar no viço e existem tratamentos excelentes para textura, pigmentação e sinais do envelhecimento. Mas nenhum creme consegue entregar para o organismo aquilo que o sono entrega. São coisas diferentes."
Para a maioria dos adultos, a referência é de sete a nove horas por noite, mas a qualidade também é importante. "Um sono fragmentado, irregular ou de má qualidade também pode não proporcionar a recuperação esperada."
"Uma noite ruim pode deixar o rosto cansado por algumas horas. Uma rotina de sono ruim pode interferir, de fato, na maneira como a pele se recupera e se mantém saudável ao longo do tempo", afirma o especialista.
Formada em Jornalismo pela Puc Minas, Paula Arantes produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil, Mundo, Orações e Entretenimento no portal da Itatiaia. Atualmente, colabora com a editoria Meio Ambiente. Antes, passou pelo jornal Estado de Minas.



